O presidente da Fifa, Gianni Infantino, explicou nesta quarta-feira os detalhes do plano de criação de uma nova empresa subsidiária, a Fifa Forward Enterprise (FFE), que seria responsável pela comercialização e organização de todas as competições de propriedade da entidade. A iniciativa prevê a venda de participações a investidores privados, com expectativa de arrecadar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões). A Fifa estima que a FFE valeria US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões), e a venda de ações equivaleria a uma participação minoritária.
Reunião de emergência da Uefa e possibilidade de boicote
A Uefa convocou uma reunião emergencial para esta quinta-feira, com todas as 55 federações nacionais filiadas, para discutir uma resposta à proposta da Fifa. Entre as opções consideradas está um boicote da Europa aos torneios organizados pela entidade máxima do futebol, como a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. A ideia enfrenta forte oposição da Uefa, que se manifestou oficialmente contra o plano na última terça-feira, mesmo dia do anúncio.
Em comunicado, a Uefa afirmou: "Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria. Todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte. A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo."
Apoios e divisões entre federações
Apesar da rejeição europeia, não há unanimidade. A federação da República Tcheca manifestou-se favorável ao plano de Infantino. Além da Uefa, a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também condenaram a proposta. Juntas, essas três confederações representam 143 dos 211 membros da Fifa, uma ampla maioria.
Infantino garante que a ideia será submetida a votação de todas as associações-membro e do conselho da Fifa. O presidente da entidade defende que a criação da FFE permitirá aumentar os repasses anuais para cada federação nacional: atualmente, cada país recebe US$ 8 milhões (R$ 41 milhões), mas com o plano, o valor subiria para US$ 20 milhões (R$ 102 milhões) no ciclo até a Copa de 2030, US$ 22 milhões (R$ 112,5 milhões) até 2034 e US$ 24 milhões (R$ 123 milhões) até 2038.
Objetivos da Fifa Forward Enterprise
Em nota oficial, a Fifa afirma que a FFE consolidará as operações comerciais e a gestão das principais competições, incluindo torneios masculinos, femininos e de base. A entidade argumenta que a injeção de capital privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio". A venda de ações a investidores privados permitiria à Fifa manter o controle majoritário da nova empresa, enquanto levanta recursos para financiar o desenvolvimento do futebol mundial.
Reações e próximos passos
O sindicato internacional de jogadores (FIFPro) criticou o plano, classificando-o como um "projeto feito a portas fechadas". A reunião da Uefa nesta quinta-feira deve definir a estratégia europeia, que pode incluir medidas drásticas, como o boicote a competições da Fifa. A tensão entre as entidades promete marcar os próximos meses, com a votação final sobre a criação da FFE prevista para ocorrer no Congresso da Fifa.



