Gales retira apoio à reeleição de Infantino após fracasso
Gales retira apoio à reeleição de Infantino após fracasso

A Federação de Futebol do País de Gales (FAW) comunicou nesta segunda-feira que não apoiará Gianni Infantino em uma eventual candidatura a novo mandato na presidência da Fifa. A decisão, segundo o jornal O Globo, foi tomada depois do fracasso do plano bilionário de investimentos idealizado pela entidade máxima do futebol.

Ruptura após anos de alinhamento

A FAW esteve historicamente ao lado de Infantino nas votações da Fifa, incluindo a eleição de 2023, quando o dirigente suíço-italiano foi reconduzido sem concorrentes. Infantino está no comando da Fifa desde 2016, quando assumiu em meio a uma das maiores crises da entidade. O novo posicionamento gera desconforto em um momento de grande expectativa para as eleições previstas para o próximo ciclo, ainda sem data marcada formalmente.

Nos últimos meses, o governo de Infantino passou a ser contestado com mais intensidade. O fator decisivo foi a execução do plano bilionário, que prometia receitas volumosas com a ampliação do Mundial de Clubes e a criação de novas competições, mas esbarrou em dificuldades comerciais e na oposição de ligas e associações de jogadores.

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Entenda o plano bilionário

Lançado como um projeto de transformação do futebol, o plano envolvia investimentos em todas as confederações, com foco em desenvolvimento de base, arbitragem, tecnologia e marketing. A ambição era gerar bilhões de dólares em receitas e garantir uma reserva robusta para a Fifa.

Contudo, o cenário econômico e o calendário extenuante afastaram parceiros comerciais. A falta de interesse de redes de televisão em adquirir os direitos de transmissão do novo modelo de Mundial de Clubes foi um dos principais entraves. A consequência foi um rombo nas contas dos projetos, obrigando a Fifa a reduzir o escopo inicial.

Os impactos foram sentidos diretamente pelas federações nacionais, que contavam com repasses maiores. No caso do País de Gales, o descontentamento teria se tornado insustentável, culminando na decisão de romper com o atual comando da entidade.

Movimento pode inspirar outras federações

A saída de Gales do grupo de apoio a Infantino não causa, por si só, uma ameaça imediata à reeleição. O dirigente ainda mantém ampla margem entre as confederações da Ásia, África e Oceania, que historicamente apoiam a gestão atual. No entanto, a decisão tem peso político relevante, já que a FAW é uma das associações mais respeitadas da Europa e possui assento em comitês da Uefa.

A expectativa é que a atitude galesa estimule outras federações de médio e pequeno porte a reverem suas posições. Nos bastidores, dirigentes já admitem que a confiança no plano bilionário foi abalada e que a cobrança por transparência nos balanços deve crescer.

O que esperar da sucessão

O anúncio ocorre em meio a articulações para uma possível candidatura de oposição, embora nenhum nome tenha oficializado a intenção. Fontes ligadas ao comitê de Infantino, ouvidas pelo O Globo, ainda demonstram otimismo e atribuem o movimento de Gales a questões pontuais.

Nas próximas semanas, a FAW deve formalizar sua posição em ofício encaminhado à Fifa. O documento pode incluir cobranças por reformas na governança e a revisão do planejamento financeiro. Enquanto isso, Infantino tenta minimizar os impactos e fortalecer sua base com novas promessas de investimento.

O caso reacende o debate sobre o poder do futebol britânico dentro da Fifa. Historicamente, as federações do Reino Unido tiveram papéis relevantes em momentos de crise. A atitude galesa, portanto, não deve ser subestimada nos bastidores da entidade.

Conclusão

A retirada do apoio do País de Gales é mais um sinal de que a sucessão na Fifa não será um processo tranquilo como em 2023. O fracasso do plano bilionário transformou-se em combustível político para a oposição e complica o cenário para Infantino, que precisará reconstruir pontes antes do próximo Congresso da entidade.

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