Um movimento de rebelião interna no conselho da Fifa coloca o presidente Gianni Infantino sob pressão. Membros do órgão pedem uma reunião urgente para discutir a liderança do dirigente, segundo reportagem publicada na imprensa internacional. O estopim foi a anulação da suspensão do centroavante americano Folarin Balogun, uma decisão atribuída a um pedido de Donald Trump. A tensão aumentou ainda mais com a proposta de venda de participações na próxima Copa do Mundo.
Conselho da Fifa em alerta
O conselho da Fifa é o principal órgão de decisão entre os congressos da entidade. Formado por 37 integrantes, incluindo o presidente, ele é responsável por aprovar mudanças estruturais, calendários e contratos. É nesse colegiado que a insatisfação com Infantino ganhou força nas últimas semanas.
De acordo com a reportagem, os conselheiros não se sentem confortáveis com a centralização de decisões na presidência. O pedido de reunião extraordinária é a primeira manifestação formal de um grupo que até então evitava confronto público com o dirigente.
Caso Balogun: a gota d'água
Folarin Balogun é um dos atacantes de maior projeção da seleção dos Estados Unidos. Nascido em Nova York, o jogador se destacou no futebol europeu e hoje defende o Monaco, da França. Sua suspensão, aplicada em um contexto não detalhado pela reportagem, foi anulada depois de uma intervenção de Donald Trump junto à Fifa.
A interferência direta do ex-presidente americano em um caso disciplinar causou desconforto imediato. Para os conselheiros, a decisão abre um precedente perigoso: se um chefe de Estado conseguir reverter uma punição, a autonomia da Justiça desportiva fica comprometida.
Balogun seria peça-chave para a campanha dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026, que terá sede no país ao lado de Canadá e México. A anulação da suspensão, portanto, tem impacto direto na escalação da seleção anfitriã.
Proposta de venda de participações no Mundial
O desgaste com a anulação da suspensão de Balogun se somou a outra polêmica: a proposta de venda de participações na próxima Copa. Segundo a reportagem, a ideia foi apresentada recentemente e prevê a alienação de partes dos direitos do torneio para investidores privados.
A medida é vista com desconfiança por integrantes do conselho, que temem a transformação do Mundial em um produto financeiro. A venda de participações poderia dar a terceiros influência sobre decisões comerciais e até mesmo sobre a organização do evento.
Além disso, a proposta chega em um momento em que a Fifa já enfrenta críticas relacionadas a patrocinadores e ao aumento do número de seleções, que passou de 32 para 48 equipes a partir de 2026.
Pressão sobre Infantino
A combinação dos dois fatores – o caso Balogun e a proposta de venda – fez com que o grupo de conselheiros decidisse agir. O pedido de reunião urgente é uma forma de exigir explicações e, possivelmente, votar medidas para limitar os poderes do presidente.
Infantino, no entanto, mantém controle sobre a convocação das reuniões do conselho. Caso ele se recuse a marcar o encontro, os conselheiros podem recorrer a mecanismos estatutários para forçar a discussão. O regimento da entidade prevê a possibilidade de reuniões extraordinárias mediante solicitação de um número mínimo de membros, mas o limite exato não foi divulgado na reportagem.
A relação entre Infantino e Trump também é alvo de atenção. Os dois apareceram juntos em eventos oficiais e a proximidade é vista por críticos como um sinal de excessiva dependência política. O episódio envolvendo Balogun reforça essa percepção.
Impacto para a Copa de 2026
A crise interna na Fifa acontece a poucos meses do início da Copa do Mundo de 2026. O torneio será o primeiro a contar com 48 seleções e terá jogos no Canadá, nos Estados Unidos e no México. Qualquer turbulência na entidade pode afetar a organização do evento, que depende de contratos bilionários e da estabilidade política.
Há leitura de que o movimento pode levar a um desfecho institucional, com a realização de um congresso extraordinário ou a abertura de uma investigação interna. Por ora, a Fifa não se pronunciou oficialmente.
Próximos passos
O movimento de rebelião ainda está em estágio inicial. A reunião urgente, se confirmada, deve ocorrer nos próximos dias, possivelmente antes dos sorteios ou de eventos preparatórios para o Mundial. A pauta deve incluir o caso Balogun, a venda de participações e a avaliação da gestão de Infantino.
Enquanto isso, os conselheiros articulam apoio para ampliar a base de oposição. A expectativa é de que mais membros se manifestem publicamente caso a reunião não seja convocada. A pressão sobre Infantino, portanto, tende a crescer.



