Uma década após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o interesse dos brasileiros pelo esporte olímpico cresceu significativamente, revela um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (4). O levantamento, conduzido pelo Instituto Olímpico Brasileiro (IOB), mostra que 68% da população afirma acompanhar as competições olímpicas, contra 53% em 2016, representando um aumento de 15 pontos percentuais.
O legado que vai além das medalhas
O estudo, que ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país, aponta que o crescimento é mais acentuado entre os jovens de 16 a 29 anos, onde o índice chega a 78%. Segundo a diretora de pesquisa do IOB, Mariana Costa, o fenômeno está ligado à maior exposição midiática e à presença de novos ídolos. "As novas gerações cresceram vendo atletas como Rebeca Andrade e Ícaro Miguel, que se tornaram referências, e isso desperta um sentimento de pertencimento", afirma.
Além do aspecto afetivo, o estudo destaca o impacto das instalações esportivas construídas para os Jogos. O Parque Olímpico da Barra, por exemplo, recebeu mais de 3 milhões de visitantes desde 2017, sediando eventos nacionais e internacionais. "A infraestrutura deixada pela Rio 2016 é um dos principais motores desse interesse, pois permitiu que as pessoas tivessem contato direto com modalidades antes desconhecidas", explica o coordenador de legado esportivo do Ministério do Esporte, Carlos Nogueira.
Modalidades em alta
O levantamento também mapeou as modalidades que mais cresceram em popularidade. O skate, que estreou nos Jogos de Tóquio, aparece com 42% de crescimento no interesse, seguido pela escalada esportiva (38%) e pelo surfe (35%). Essas disciplinas, que também estão no programa de Paris 2024, atraem um público mais jovem e conectado às redes sociais.
Por outro lado, modalidades tradicionais como natação e atletismo mantêm sua base de fãs, mas com crescimento mais modesto, de 6% e 4%, respectivamente. "O que vemos é uma diversificação do interesse, com o brasileiro se abrindo para novas experiências esportivas", avalia a analista de tendências esportivas da consultoria SportsValue, Patrícia Almeida.
Impacto econômico e social
O estudo também aponta reflexos econômicos: o mercado de artigos esportivos cresceu 23% desde 2016, movimentando cerca de R$ 45 bilhões anuais. O número de academias e estúdios de treino funcional aumentou 31% no mesmo período, gerando empregos em todo o país.
"O esporte olímpico virou um vetor de desenvolvimento local, especialmente nas cidades-sede", destaca Nogueira. Ele cita o exemplo de Deodoro, que recebeu investimentos em mobilidade e infraestrutura urbana, beneficiando a população local. "O legado social é tão importante quanto o esportivo", completa.
Desafios para o futuro
Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios. A falta de investimento contínuo em programas de base e a carência de centros de treinamento em regiões fora do eixo Rio-São Paulo ainda limitam o desenvolvimento de novos talentos. "Precisamos transformar o interesse em resultados de longo prazo, com políticas públicas consistentes", alerta Mariana Costa.
O próximo grande teste será Paris 2024, onde o Brasil espera superar as 19 medalhas conquistadas no Rio. "A torcida está mais engajada, e isso pressiona os atletas a buscarem cada vez mais excelência", afirma o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley, em comunicado.
Com a proximidade dos Jogos de Los Angeles em 2028, o estudo conclui que o interesse tende a se consolidar, desde que haja manutenção do legado e novas iniciativas de popularização do esporte.



