O empate por 1 a 1 contra o Athletic, na noite desta terça-feira, no Moisés Lucarelli, escancarou mais uma vez os problemas crônicos da Ponte Preta na temporada. O time campineiro chegou ao 14º jogo consecutivo sem vencer e igualou o recorde negativo do ABC como a maior sequência sem vitórias na história da Série B. Com apenas três triunfos em 30 partidas no ano, a Macaca segue mergulhada em uma crise que mistura erros técnicos, decisões equivocadas e fragilidade emocional.
Primeiro tempo promissor, segundo tempo desastroso
Dentro das limitações do elenco, a equipe de Márcio Zanardi fez talvez um dos melhores primeiros tempos desde sua chegada. Aos 13 minutos, Elvis encontrou Léo Gomes com um passe preciso, e o volante bateu na saída de Luan Polli para abrir o placar. A Ponte ainda criou outras oportunidades para ampliar a vantagem, mas voltou a esbarrar na velha incapacidade de transformar domínio em placar confortável. Faltou qualidade no último passe e também confiança para finalizar com mais precisão.
Defesa frágil cobra o preço
Na segunda etapa, o time recuou de forma excessiva, abriu mão da posse de bola e deixou o Athletic crescer. O roteiro se repetiu: a Ponte passou a se defender perto da própria área, esperando o tempo passar. Foi nesse cenário que surgiu o pênalti evitável de Sergio Palacios, que deu contato dentro da área em um lance discutível. Mais uma falha individual que custou pontos. Os números são impiedosos: a Ponte sofreu 39 gols em 20 jogos na Série B e 54 em 30 partidas no ano, uma das piores marcas defensivas da história recente do clube.
Sequência histórica negativa
O empate levou a Macaca ao 14º jogo sem vitória na Série B, igualando o recorde do ABC. A equipe de Zanardi parece incapaz de sustentar qualquer sinal de recuperação. Em alguns momentos, como no primeiro tempo contra o Athletic, mostra evolução, mas logo encontra uma maneira de desperdiçar o resultado. “A torcida vai ficar puta, mas é meu primeiro ponto aqui”, afirmou o técnico Márcio Zanardi após a partida, reconhecendo a pressão e as dificuldades.
Problemas estruturais e de gestão
Se os atrasos salariais, transfer bans, saída de jogadores e dívidas são responsabilidade da gestão de Luiz Torrano, a montagem de um elenco incapaz de competir consistentemente passa pelo trabalho do vice-presidente Marco Antônio Eberlin e do coordenador de futebol João Brigatti. A Ponte venceu apenas três de 30 jogos no ano, e a defesa está entre as piores da história recente. Zanardi tenta reconstruir o time emocionalmente abalado enquanto aguarda soluções fora de campo. A cada rodada sem vitória, a temporada se torna mais constrangedora.



