Ponte Preta 100 dias sem vencer e risco de rebaixamento
Ponte Preta 100 dias sem vencer e risco de queda

A Ponte Preta alcançou, neste fim de semana, a marca de 100 dias sem vencer. A última vitória da Macaca foi em 24 de abril, quando bateu o América-MG por 1 a 0 no Moisés Lucarelli, em partida válida pela sexta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. De lá para cá, o time disputou 14 jogos e acumulou 12 derrotas e apenas dois empates, um desempenho que o derrubou para a última colocação da tabela e elevou o risco de rebaixamento à Série C para 99,92%, segundo o Gato Mestre, do ge.

Números da crise

Os números da temporada confirmam a profundidade do momento. Em 30 partidas disputadas em 2024, a Ponte Preta venceu apenas três vezes. Na Série B, a campanha é de nove pontos em 20 jogos, com duas vitórias, três empates e 15 derrotas. Os nove pontos representam apenas 15% dos pontos disputados, índice que confirma o desempenho como o pior da competição. O Ceará, primeiro time fora da zona de rebaixamento, soma 22 pontos e é justamente o próximo adversário da equipe de Campinas.

A sequência de 14 jogos sem vitória iguala a maior da história da Série B, alcançada pelo ABC em 2023. A distância para o objetivo de permanência é considerável: a Ponte está 13 pontos atrás do primeiro fora do Z-4, com apenas 18 rodadas pela frente. As projeções matemáticas colocam a chance de queda da Macaca em 99,92%, com apenas o América-MG em situação pior, com 99,96%.

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Elenco e comando modificados

A derrocada dos últimos meses mudou o desenho do grupo. William Pottker, autor do gol que garantiu a última vitória, deixou o clube e hoje defende o Londrina. Também não estão mais no elenco o goleiro Diogo Silva, o lateral-direito Bryan Borges, o meia Diego Tavares e o atacante Luís Phelipe. Além deles, Thalys, Lucas Justen e Tárik, que participaram daquela partida contra o América-MG, também não fazem mais parte do plantel.

O comando técnico também não resistiu. Rodrigo Santana deixou o clube em meio aos maus resultados e aos problemas salariais. Após um período com o interino Edson Boaro, a Ponte Preta confiou o time a Márcio Zanardi, que soma oito derrotas em oito jogos, um aproveitamento nulo.

Crise financeira e protestos

Fora de campo, o cenário permaneceu delicado. Na partida contra o América-MG, há 100 dias, os jogadores chegaram a deixar o hotel como protesto pelos salários atrasados. Desde então, a diretoria fez pagamentos pontuais, mas não conseguiu regularizar a situação dos vencimentos do elenco. A crise financeira ampliou a pressão política e social sobre o clube.

O capitão Elvis, em um dos episódios que expuseram o desgaste interno, criticou publicamente o presidente Luiz Torrano e o vice Marco Antonio Eberlin. A insatisfação também se refletiu nas arquibancadas, com protestos intensificados da torcida. A relação entre elenco e diretoria segue tensa, e cada resultado negativo reforça o clima de instabilidade que cerca o Moisés Lucarelli.

SAF e entraves na inscrição

Sem resposta imediata no gramado, a diretoria tenta acelerar a transformação do clube em SAF como caminho para reduzir os impactos da crise financeira. Em paralelo, trabalha para derrubar três punições que impedem a inscrição de 11 jogadores já contratados. Os atletas estão no clube há duas semanas, mas seguem sem condições de jogo por causa de um transfer ban aplicado pelo CNRD da CBF e por outros dois processos na Fifa.

É neste cenário que a Ponte Preta chega aos 100 dias sem vitória: lanterna da Série B, pressionada por salários atrasados, com elenco reformulado, trocas no comando técnico e permanência cada vez mais distante. A sequência dos próximos jogos, incluindo o confronto direto com o Ceará, será decisiva para qualquer reação ainda possível.

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