Abandono inesperado na Hungria expõe fragilidade da Mercedes
O GP da Hungria de 2026, realizado neste domingo, trouxe mais um capítulo de frustração para George Russell. O piloto inglês, que largaria em sexto lugar, viu sua corrida ser comprometida ainda na largada, quando o sistema anti-stall de seu Mercedes W17 travou o motor por alguns segundos. 'Eu estava com o pé no acelerador, mantendo a rotação, e de repente, uns quatro segundos antes das luzes se apagarem, o motor começou a acelerar descontroladamente. Eu acelerava, mas não adiantava nada. O motor não estava respondendo', descreveu Russell. O problema o fez cair para a última posição, mas ele conseguiu se recuperar até cruzar a linha de chegada em sétimo, somando seis pontos — um resultado amargo para quem já foi vice-líder do campeonato.
Problemas recorrentes desde o início da temporada
Russell não esconde a surpresa com a sequência de contratempos que enfrenta em 2026, enquanto seu companheiro de equipe, Kimi Antonelli, dispara na liderança do Mundial. O primeiro grande azar ocorreu no Japão, quando Russell foi chamado aos boxes pouco antes de um safety car, permitindo que Antonelli assumisse a liderança da corrida e, posteriormente, do campeonato. No Canadá, onde disputava a ponta com o colega, uma falha elétrica no motor Mercedes forçou o abandono. Em Mônaco, Russell terminou em 12º após receber uma punição de 5 segundos por excesso de velocidade nos boxes, mas a F1 admitiu erro na medição, e a Mercedes recorreu, mas desistiu. Esse revés permitiu que Lewis Hamilton, então terceiro, superasse Russell na classificação.
Após um período de calmaria — segundo lugar em Barcelona, vitória na Áustria e segundo no GP da Grã-Bretanha, recuperando a vice-liderança — os problemas voltaram. Na Bélgica, Russell perdeu potência do motor e acabou atrapalhando Hamilton, que bateu em sua Mercedes e foi punido com 5 segundos. Na Hungria, além do anti-stall, foi necessário trocar a unidade de potência devido a um vazamento.
Desabafo e olhar para o futuro
Com apenas nove pontos de vantagem sobre Hamilton e 27 atrás de Antonelli, Russell reconhece que a temporada tem sido atípica. 'Oscar (Piastri) também teve aquele problema (com a caixa de câmbio abandonando na Hungria). Não é como se fôssemos os únicos, mas parece que isso está acontecendo muito mais comigo do que com os outros. Espero que a sorte mude. Não desejo azar a ninguém, mas nunca tive uma temporada assim em toda a minha carreira, muito menos na F1', desabafou. 'Preciso me sair melhor nas coisas que estão sob meu controle, mas há muitas coisas que estão fora do nosso controle. Já superei a fase da decepção porque, se continuar me decepcionando com tudo, vou ficar decepcionado todos os dias da semana. Por isso, preciso manter uma atitude positiva. A equipe disse que eu estava tão rápido quanto qualquer outro piloto na pista, o que não acontecia há umas três corridas. Mas é inacreditável a quantidade de coisas que aconteceram.'
Apesar dos percalços, Russell segue em terceiro no campeonato, com 152 pontos, enquanto Antonelli lidera com 179 e Hamilton é o vice com 161. A Mercedes, por sua vez, tenta resolver os problemas de confiabilidade que afetam mais o carro de Russell, enquanto o piloto busca manter a consistência e a esperança de que a maré vire.



