O nadador olímpico Kayky Mota, de 27 anos, que representou o Brasil nos Jogos de Paris 2024, teve seu apartamento destruído por um incêndio no condomínio onde mora em Midvale, Utah, nos Estados Unidos. O incidente ocorreu na última sexta-feira (31), enquanto ele voltava de uma viagem à Califórnia. O imóvel está interditado, e o atleta ainda não pôde quantificar as perdas materiais e sentimentais, mas sabe que muitos itens foram danificados, incluindo medalhas, fotos e memórias das Olimpíadas.
Em entrevista exclusiva ao ge, Kayky relatou: “Vou ao local todos os dias, mas ainda não pude entrar no apartamento. Acho que perdi praticamente tudo: móveis, roupas, medalhas, fotos, memórias das Olimpíadas, de outros campeonatos, computador. Tudo estava no apartamento, que ficava perto do meu trabalho, dos lugares que eu frequento. Estava afastado da natação há algum tempo e planejava retomar a carreira, mas agora preciso ver como as coisas ficarão”.
Detalhes do incêndio e impacto pessoal
O incêndio foi gerado por uma falha mecânica no quarto andar, na área das máquinas do elevador. As chamas começaram em uma ala distante, mas se alastraram rapidamente até o apartamento de Kayky, localizado no terceiro piso. O sistema de irrigação do prédio não conteve o fogo, e os bombeiros despejaram toneladas de água, inundando grande parte da estrutura. “Se não foi pelo fogo, meu apartamento foi destruído pela água e pela fumaça. Sentimos um pouco de mal-estar por causa da fumaça até”, explicou o nadador.
Kayky havia se mudado para o imóvel alugado apenas duas semanas antes do incêndio. Ele morava sozinho, mas sua noiva, a americana Ellison Colarossi, se mudaria para lá no início de agosto. O casal ficou noivo em junho deste ano e planeja se casar em 2027. Enquanto aguarda autorização para entrar no apartamento, Kayky está hospedado no apartamento da noiva, cujo contrato de aluguel termina na sexta-feira.
Seguro e suporte recebido
O nadador também aguarda respostas do seguro do imóvel, que cobria apenas danos estruturais. Ele havia contratado uma cobertura mais ampla para bens pessoais, mas essa cobertura só entraria em vigor em 1º de agosto, um dia após o incêndio. “No momento, estou no apartamento da minha noiva. O contrato de aluguel dela vai até sexta-feira. Recebemos suporte de organizações dos Estados Unidos, com alimentos, roupas e kits de higiene, por exemplo. Algumas pessoas estão abrigadas em uma escola ou em imóveis cedidos. A família da Elisson também tem me auxiliado a comprar roupas e já se ofereceu para ajudar com móveis e outras doações”, contou Kayky.
Nascido em São Paulo, o atleta vive nos Estados Unidos desde 2018 e conheceu a noiva na Universidade do Tennessee, onde ela praticava salto com vara. Kayky diminuiu o ritmo nas competições após Paris 2024 e, em março deste ano, oficializou uma pausa na carreira. Ele passou a organizar clínicas de natação para crianças e jovens, mas ainda pensa em voltar ao alto desempenho com vistas a outra participação olímpica. “Preciso de um momento para pensar, mas é possível que, se as coisas se estabilizarem, eu consiga voltar mais cedo à natação. Ou não. Depende muito”, afirmou.
Reconstrução e planos futuros
O foco imediato de Kayky é reconstruir sua vida pessoal. O incêndio destruiu não apenas bens materiais, mas também recordações de sua trajetória esportiva. Apesar do susto, ele e a noiva não se feriram. A comunidade local e organizações dos EUA têm oferecido suporte, e a família de Ellison se prontificou a ajudar com móveis e doações. O nadador espera que, com o tempo, consiga superar esse revés e, quem sabe, retomar a carreira nas piscinas.
O caso ganhou repercussão, e o atleta tem recebido mensagens de apoio de fãs e colegas. Enquanto aguarda a liberação do apartamento, Kayky segue monitorando a situação e buscando alternativas para se reestruturar. A expectativa é de que o seguro cubra parte dos prejuízos, embora a cobertura para bens pessoais não estivesse ativa no momento do sinistro.



