Documentário sobre Ignácio de Loyola Brandão estreia em 30 de julho
Documentário sobre Loyola Brandão estreia em 30/07

“Você vai perceber um dia que a fantasia vai te ajudar a suportar a vida.” Assim começa a conversa com o cineasta André Brandão, citando uma frase do pai, o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que na próxima semana ganha um documentário sobre sua trajetória. Gravações feitas com uma câmera Super8 por Loyola entraram no documentário.

Sonho de ser roteirista

Em entrevista à Coluna, André, filho do escritor e diretor do filme, contou que o sonho do pai era ser roteirista: “Foi para a Itália com 27 anos fazer cinema. No final, ele não faz um filme e vai para a literatura. Ao mesmo tempo, (com o documentário) ele não deixa de fazer um filme.”

Estreia e exibições

“Não Sei Viver Sem Palavras” estreia no circuito comercial no dia 30 de julho, véspera do aniversário de 90 anos do escritor. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Araraquara, cidade onde Loyola nasceu, recebem o filme. “Gostaria de encher muitas salas de cinema, porque a história dele comporta levar o máximo possível de pessoas ao cinema”, diz André.

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Desde o ano passado, o documentário passou por mostras nacionais, recebeu menção honrosa no Festival de Taunus, na Alemanha, e, em agosto, será exibido no Festival de Ierápetra, na ilha de Creta, na Grécia.

Transição para o cinema

Formado em Engenharia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), André procurava o projeto que marcaria sua transição para o cinema. Encontrou o personagem principal dentro de casa. As filmagens começaram no celular, durante o isolamento da pandemia.

O plano era concluir o documentário em seis meses, mas o projeto se estendeu por quase cinco anos. “Alguns meses depois, percebemos que era muito maior, com um personagem muito mais múltiplo. Era um projeto que almejava profundidade e pesquisa.” O filme costura vida e obra de Loyola e aproximou ainda mais pai e filho.

Reação do escritor

A relação de pai e filho, que sempre foi muito boa, ganhou um novo patamar ao longo do processo. André lembra da primeira sessão em família. “O filme terminou e ficamos meio quietos. Aí meu pai falou: ‘Que estranho, parece que eu morri’.” A frase arrancou risadas na família, descrita pelo cineasta como “a casa da gargalhada”. Só na terceira ou quarta vez em que assistiu ao documentário, Loyola mudou de opinião. “Hoje, pela primeira vez, eu consegui assistir e adorei.” Para André, faz sentido: “Acho que é preciso passar por algumas etapas para absorver a própria vida.”

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