O cantor e compositor Mateus Aleluia, de 82 anos, realizou na noite deste sábado, 11 de julho, o primeiro show da turnê solo de voz e violão no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro. A apresentação, que lotou a casa, marcou a estreia carioca da série de concertos pela Caixa Cultural. Uma segunda apresentação está agendada para domingo, 12 de julho, mas os ingressos já estão esgotados.
Uma experiência além do tempo
Para o público, o show foi descrito como uma experiência que exige desligar-se das urgências cotidianas e mergulhar no tempo sereno do artista. “O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro”, disse Mateus Aleluia ao público.
Repertório autoral e memória ancestral
O repertório foi composto por canções autorais, começando com “Homem! O animal que fala” (2009). A voz grave e profunda do artista puxou o fio da memória ancestral, revisitando vivências na África e em Cachoeira (BA). Canções como “Sonhos cor de criola” e “Filho de rei”, ambas do álbum “Fogueira doce” (2020), estiveram no roteiro. A música-título do álbum encerrou a apresentação, sem bis.
Ancestralidade e espiritualidade
Mateus Aleluia foi comparado a um “Buda Nagô”, à semelhança da definição que Gilberto Gil deu a Dorival Caymmi. O cantor evoca a nobreza do amor e a transcendência. “Eu vi Obatalá”, proclama em verso da composição de 2017. O maior sucesso dos Tincoãs, “Cordeiro de Nanã” (1977), foi apresentado entremeado com um lamento, carregando as dores do povo negro, mas amenizadas pela sabedoria e paz de espírito.
Última apresentação no Rio foi em 2017
Mateus Aleluia tem presença rara nos palcos cariocas. A última vez que se apresentou na cidade foi em 2017, há nove anos. Em novembro de 2025, o cantor fez show em Salvador com a Orquestra Afrosinfônica, sob regência do maestro Ubiratan Marques. Desta vez, no Rio, apenas voz e violão dividiram a cena com a imensidão de sua alma.
Público abastecido
Ao fim do show, o artista agradeceu o público e disse que estava “abastecido”. Na visão dos presentes, foi ele quem abasteceu a plateia com música que alimenta a alma e emana boas vibrações, serenando quem se entrega à experiência.



