Copom mantém Selic em 13,75% e sinaliza cautela fiscal
Copom mantém Selic a 13,75% com tom duro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira. A manutenção ocorre após dois ciclos de corte, e o comunicado oficial adota tom mais duro, sinalizando que o afrouxamento monetário pode estar próximo do fim.

Decisão unânime e sinalização de cautela

Segundo o comunicado, o Copom avalia que o cenário internacional permanece incerto, com pressões inflacionárias globais, enquanto no Brasil a atividade econômica mostra resiliência, mas a desancoragem das expectativas de inflação preocupa. A decisão de manter a taxa foi acompanhada de uma orientação de que o comitê permanecerá vigilante e poderá ajustar a política monetária se necessário.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, destacou em entrevista coletiva que a inflação de serviços segue elevada e que a meta de inflação para 2025 exige compromisso fiscal. "O Banco Central não hesitará em usar todos os instrumentos para garantir que a inflação convirja para a meta", afirmou.

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Impactos na economia e no mercado

A decisão foi recebida com alívio por investidores, que temiam uma sinalização mais agressiva. O índice Ibovespa fechou em alta de 1,2%, enquanto o dólar comercial caiu 1,5%, cotado a R$ 5,20. Para o economista-chefe da XP, Ricardo Rocha, "o comunicado é equilibrado e mostra que o Copom está atento tanto à inflação quanto ao crescimento".

Projeções de mercado indicam que a Selic deve encerrar o ano em 12,75%, com cortes graduais a partir de setembro. No entanto, a incerteza fiscal, com as discussões sobre o arcabouço fiscal e a reforma tributária, pode atrasar o ciclo de afrouxamento.

Contexto internacional e riscos fiscais

No cenário externo, o Fed manteve os juros nos Estados Unidos e sinalizou cortes apenas em 2025, o que pressiona o real e as taxas domésticas. Além disso, a guerra comercial entre EUA e China segue gerando volatilidade nos mercados de commodities.

O Copom reforçou que a política fiscal é crucial para a condução da política monetária. "Uma âncora fiscal crível é essencial para a queda sustentável dos juros", afirmou o comunicado. A equipe econômica do governo trabalha para aprovar o novo arcabouço fiscal no Congresso, com meta de déficit zero em 2025.

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