A Petrobras confirmou, na manhã desta segunda-feira (3), a descoberta de gás natural no poço Uchuva-2, no bloco Tayrona, em águas profundas na Colômbia. O poço perfurado a 806 metros de lâmina d'água registrou uma coluna de gás de aproximadamente 220 metros, o que, segundo a companhia, comprova a extensão do achado anterior.
O Uchuva-2 está localizado a cerca de 1,9 quilômetro do poço Uchuva-1, no setor sul do bloco. Em 2023, o Uchuva-1 já havia confirmado a presença de gás na região, abrindo uma nova fronteira exploratória no Caribe colombiano. Com a nova perfuração, a Petrobras avalia que a área tem potencial para se tornar um polo de produção de gás natural.
A primeira descoberta no bloco, com o poço Uchuva-1, havia sido anunciada dois anos antes. Na ocasião, a Petrobras disse que o achado reforçava o modelo geológico do Caribe colombiano e abria caminho para novas perfurações.
Características do poço e do bloco
O bloco Tayrona está situado na bacia de Guajira, na costa norte da Colômbia, próximo à fronteira com a Venezuela. A região é conhecida por abrigar reservas de gás e é considerada estratégica para o abastecimento energético do país. A perfuração do Uchuva-2 foi executada a partir de sondas de alta capacidade, com o objetivo de avaliar a continuidade dos reservatórios.
Segundo a Petrobras, os estudos preliminares indicam que a coluna de gás encontrada tem cerca de 220 metros de espessura. Esse tipo de indicador é relevante para dimensionar o volume de hidrocarbonetos in place e subsidiar futuras decisões de investimento. A empresa ainda não divulgou estimativas de reservas recuperáveis.
Parceria com a Ecopetrol
O bloco Tayrona é operado pela Petrobras, com 55% de participação, em parceria com a Ecopetrol, a petroleira estatal da Colômbia, que detém os 45% restantes. A joint venture foi formada para explorar o potencial de gás na região, e o resultado do Uchuva-2 é visto como um marco para a parceria.
Em nota, a Petrobras afirmou que a descoberta atesta a qualidade do play exploratório e reforça o compromisso da empresa com a expansão de suas atividades na América Latina. A companhia também disse que todos os trabalhos foram realizados em conformidade com as regulamentações ambientais e de segurança da Colômbia.
Importância estratégica para a Petrobras
A nova descoberta está alinhada à estratégia da Petrobras de aumentar a oferta de gás natural nas regiões onde atua, com foco na transição energética. O gás é considerado um combustível de transição, com menor intensidade de carbono em comparação ao carvão e ao óleo combustível.
Para a Petrobras, o sucesso no Caribe colombiano reforça a carteira de ativos de exploração e produção fora do Brasil. A companhia tem concentrado suas atividades internacionais em áreas com alto potencial, buscando diversificar receitas e reduzir riscos. A descoberta também amplia o conhecimento geológico da bacia, podendo atrair novos investimentos para a indústria de gás local.
Impacto para o abastecimento da Colômbia
A Colômbia enfrenta um cenário de desafios no abastecimento de gás natural, com a queda das reservas em campos maduros e a necessidade de importação de GNL em períodos de demanda elevada. A descoberta no bloco Tayrona pode ajudar a reverter essa tendência no médio e longo prazo.
Especialistas apontam que, se os volumes forem confirmados comercialmente, o gás do Uchuva-2 poderá ser escoado para a costa colombiana por meio de gasodutos ou infraestrutura de processamento. Isso reduziria a dependência de importações e contribuiria para a segurança energética do país. No entanto, ainda não há previsão para declaração de comercialidade.
Próximos passos da avaliação
A Petrobras afirmou que dará continuidade à avaliação da área, com aquisição de novos dados sísmicos, testes e análises de laboratório. O objetivo é mapear os reservatórios com maior precisão e identificar as melhores alternativas para o desenvolvimento da produção.
A companhia não divulgou cronograma para a perfuração de novos poços na região, tampouco estimativas de investimento no bloco. O desfecho das avaliações será determinante para que a joint venture decida se avança para a fase de desenvolvimento e produção.
O anúncio foi bem recebido por analistas do setor, que acompanham os movimentos da Petrobras em águas profundas. A descoberta é vista como mais um indicativo do potencial da margem caribenha, uma das fronteiras mais promissoras para o gás natural na América do Sul.



