Petróleo recua com aceno de Trump e temor de recessão
Petróleo recua com aceno de Trump e temor de recessão

Os preços do petróleo operam em forte queda nesta terça-feira (4), com o mercado reagindo ao aceno do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível redução das tarifas comerciais, enquanto cresce o temor de uma recessão global. O contrato do Brent, referência internacional, recuava 2,3%, cotado a US$ 74,50 o barril, enquanto o WTI, referência americana, caía 2,5%, para US$ 70,80.

Aceno de Trump e impacto nas tarifas

Em entrevista à imprensa, Trump sinalizou que poderia revisar as tarifas impostas a diversos países, o que foi interpretado como um gesto de flexibilização em meio às tensões comerciais. No entanto, analistas apontam que a medida não é suficiente para conter o pessimismo, uma vez que os dados macroeconômicos recentes indicam desaceleração.

"O mercado está dividido entre a esperança de um alívio nas tarifas e o receio de que a economia global entre em recessão, o que reduziria a demanda por energia", disse Ricardo Oliveira, analista de commodities da XP Investimentos.

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Dados econômicos fracos pressionam

Na zona do euro, o índice de gerentes de compras (PMI) industrial veio abaixo do esperado, reforçando a percepção de contração. Nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio-desemprego subiram acima do previsto, alimentando o temor de que o aperto monetário do Federal Reserve esteja pesando demais sobre a atividade.

Esses fatores combinados têm pressionado os preços do petróleo, que acumulam queda de mais de 10% nas últimas quatro semanas, segundo dados da Bloomberg.

Oferta e demanda

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados mantêm a política de aumento gradual da produção, o que adiciona pressão sobre os preços. Ao mesmo tempo, a demanda global por combustíveis mostra sinais de enfraquecimento, especialmente na Ásia, onde a recuperação econômica tem sido mais lenta que o esperado.

"A Opep+ está aumentando a oferta num momento em que a demanda não acompanha, criando um excesso de barris no mercado", comentou Maria Fernandes, especialista em energia da consultoria Wood Mackenzie.

Perspectivas e riscos

Para os próximos dias, os investidores acompanham de perto os dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que serão divulgados pela Administração de Informação de Energia (EIA). Se os estoques vierem acima do esperado, a pressão de baixa pode se intensificar.

Além disso, o cenário geopolítico segue volátil, com tensões no Oriente Médio e na Europa Oriental, que podem interromper o fornecimento a qualquer momento. No entanto, por ora, o sentimento predominante é de cautela, com o mercado precificando um cenário de demanda mais fraca.

Segundo o Bank of America, a probabilidade de recessão global nos próximos 12 meses subiu para 35%, o que impacta diretamente as projeções de consumo de petróleo.

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