A XP Investimentos recomenda a compra de ações no Brasil mesmo com o juro real acima de 8%, nível considerado elevado historicamente. Em relatório divulgado nesta semana, a corretora argumenta que o mercado acionário brasileiro está barato e que a expectativa de corte da Selic para 13,75% ao ano deve impulsionar a bolsa.
Valuations atrativos e cenário de queda de juros
Segundo a XP, o Ibovespa opera com um múltiplo preço/lucro (P/L) de cerca de 8 vezes para os próximos 12 meses, bem abaixo da média histórica de 10 vezes. "Com juros nominais em 15% ao ano e inflação em 6%, o juro real fica em torno de 8,5%, o que historicamente comprime o valuation das ações. No entanto, vemos espaço para queda da Selic a partir do próximo ano, o que deve destravar valor", afirma o analista da XP, Carlos Macedo.
A corretora destaca que setores como consumo, financeiro e infraestrutura são os mais beneficiados com a redução da taxa básica. "Empresas domésticas, como varejistas e bancos, tendem a se valorizar mais em um cenário de juros menores, pois seus custos de financiamento caem e o consumo se recupera", explica.
Riscos e recomendações específicas
A XP também alerta para riscos fiscais e políticos que podem atrasar o ciclo de cortes. "Se o governo não controlar os gastos, a Selic pode permanecer alta por mais tempo, o que inviabilizaria a tese. Por isso, recomendamos posições seletivas, com foco em empresas com bom governo corporativo e geração de caixa", pondera.
Entre as recomendações, a XP cita ações como Smart Fit, Nubank e Localiza, que devem se beneficiar da "terceira onda" da B3, conforme análise da Encore, gestora parceira. "Essas empresas têm modelos de negócio resilientes e estão bem posicionadas para crescer mesmo em um ambiente de juros elevados", destaca.
Impacto para investidores
Para o investidor pessoa física, a recomendação é diversificar e aproveitar os preços atuais. "Quem tem horizonte de longo prazo pode encontrar boas oportunidades, mas é essencial manter uma reserva de emergência e não concentrar tudo em renda variável", orienta a XP.
A corretora projeta que o Ibovespa pode atingir 140 mil pontos em 2026, caso o cenário de corte de juros se confirme. "Com a inflação em trajetória de queda e o Copom sinalizando flexibilização, o mercado tende a precificar melhores resultados", conclui o relatório.



