A Amazon alcançou, nesta segunda-feira (3), a marca histórica de US$ 3 trilhões em valor de mercado pela primeira vez em seus 30 anos de existência. O feito ocorre em meio à euforia do mercado com os investimentos da companhia em inteligência artificial (IA) e ao desempenho robusto de sua unidade de computação em nuvem, a AWS. As ações da varejista digital sobem mais de 2% no pregão, cotadas a aproximadamente US$ 290, caminhando para um novo recorde de fechamento.
Impulso da inteligência artificial e da AWS
O salto no valuation da Amazon é atribuído, em grande parte, à crescente demanda por serviços de IA generativa, que impulsionam a receita da AWS. A empresa tem registrado um crescimento acelerado nessa área, com contratos de longo prazo com startups e grandes corporações que buscam infraestrutura para treinar e operar modelos de linguagem. Segundo analistas do JPMorgan, a AWS deve crescer 20% neste ano, contribuindo significativamente para o resultado consolidado.
Além disso, a Amazon anunciou recentemente uma parceria com a Anthropic, empresa de IA, envolvendo investimento de US$ 8 bilhões, para desenvolver modelos avançados. Essa aliança reforça a posição da companhia como um dos principais provedores de infraestrutura de IA no mundo, ao lado de Microsoft e Google.
Histórico de valorização e comparação com rivais
Com esse marco, a Amazon se junta ao seleto grupo de empresas que já ultrapassaram a casa dos US$ 3 trilhões, como Apple e Microsoft. No entanto, a trajetória da companhia é notável: em 2020, durante a pandemia, seu valor de mercado atingiu US$ 1 trilhão; em 2023, chegou a US$ 2 trilhões; agora, em 2026, alcança US$ 3 trilhões. Esse crescimento acelerado reflete a diversificação dos negócios, que vão do comércio eletrônico à publicidade digital, passando por assinaturas Prime e dispositivos como Alexa.
No acumulado do ano, as ações da Amazon sobem cerca de 35%, superando o desempenho do índice S&P 500, que avança 12% no mesmo período. O otimismo dos investidores é alimentado também pelos resultados do segundo trimestre, divulgados na semana passada, que mostraram receita de US$ 148 bilhões, alta de 11% ano a ano, e lucro líquido de US$ 12,5 bilhões, acima das expectativas.
Perspectivas e riscos
Apesar do momento positivo, especialistas alertam para possíveis riscos, como a regulação antitruste e a concorrência acirrada no setor de nuvem. A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tem investigado práticas da Amazon em relação a vendedores terceiros e ao uso de dados. No entanto, a empresa tem argumentado que suas práticas são legais e beneficiam os consumidores.
“A Amazon continua a executar bem em todas as frentes, mas o mercado está precificando um crescimento muito forte. Qualquer desaceleração na AWS pode impactar o valor das ações”, afirma Carlos Alberto, analista da XP Investimentos. Ele ressalta que a diversificação da empresa é um ponto positivo, mas que a dependência da nuvem é cada vez maior.
Impacto no mercado e na economia
A valorização da Amazon também tem impacto no índice Nasdaq, que atingiu novo recorde nesta segunda-feira, puxado pelas big techs. O movimento reforça a concentração do mercado nas grandes empresas de tecnologia, o que gera debate sobre a sustentabilidade desses valuations. Economistas apontam que o crescimento dessas empresas é impulsionado pela inovação e pela digitalização da economia, mas também pode representar bolha em setores específicos.
Para os investidores brasileiros que possuem ações da Amazon na B3 por meio de BDRs, a notícia é positiva, pois o papel tende a acompanhar a alta. A recomendação da maioria das corretoras é manter a posição, com preço-alvo de US$ 320 para os próximos 12 meses, segundo o consenso do mercado.
Com a marca de US$ 3 trilhões, a Amazon reafirma sua posição como uma das empresas mais valiosas do mundo, e a expectativa é que continue a crescer impulsionada pela IA e pela expansão internacional. Resta saber se a companhia conseguirá sustentar esse ritmo e superar os desafios regulatórios.



