A XP Investimentos afirma que vale a pena comprar ações no Brasil com o juro real acima de 8%, e explica os motivos. Segundo a corretora, o patamar elevado da taxa real torna a renda variável local mais atraente em comparação com a renda fixa, apesar do cenário de aperto monetário.
Juro real alto e atratividade da bolsa
Com a Selic projetada para 13,75% ao ano e a inflação em queda, o juro real brasileiro supera a marca de 8%, um dos maiores do mundo. Para a XP, esse nível de remuneração real não apenas compensa o risco de carregar ações, mas também sinaliza que o mercado já precificou grande parte do ciclo de alta da taxa básica.
A corretora ressalta que, historicamente, quando o juro real ultrapassa esse patamar, a bolsa tende a apresentar retornos superiores nos 12 meses seguintes. O cenário é reforçado pela expectativa de cortes na Selic a partir de 2026, o que deve reduzir o custo de oportunidade e impulsionar a valuation das empresas listadas.
Encore aponta 'terceira onda' da B3
Nesse contexto, a gestora Encore destaca três papéis para a chamada 'terceira onda' da B3: Smart Fit, Nubank e Localiza. A tese é que essas empresas combinam crescimento estrutural, resiliência operacional e exposição a setores que devem se beneficiar da retomada econômica e da queda dos juros.
Smart Fit, no setor de saúde e bem-estar, tem expandido sua base de clientes com modelo de baixo custo. Nubank, por sua vez, segue ganhando participação no mercado financeiro com sua plataforma digital. Já a Localiza, líder em aluguel de carros, é vista como uma aposta na mobilidade e no turismo, setores que tendem a se recuperar com a estabilização macroeconômica.
Agenda de balanços e projeções do Focus
Nesta semana, o mercado acompanha a divulgação de resultados de grandes empresas, como Bradesco, Itaú e Petrobras, que podem trazer sinais sobre a saúde corporativa e influenciar os índices. O boletim Focus, do Banco Central, aponta redução da projeção de inflação para o ano e manutenção da Selic em 13,75%, reforçando o cenário de juros altos por mais tempo.
A combinação de juros reais elevados com balanços robustos pode criar oportunidades seletivas de compra. A XP recomenda que investidores com perfil de longo prazo aproveitem as oscilações para montar posições em empresas com fundamentos sólidos e boa governança.
Impacto para o investidor
Para o investidor pessoa física, a recomendação é diversificar a carteira, mesclando renda fixa e ações, sempre respeitando o perfil de risco. A XP alerta que, embora o juro real alto seja um atrativo, a volatilidade da bolsa pode ser significativa, exigindo paciência e disciplina.
Em resumo, a tese da XP é que o atual nível de juros reais não impede a rentabilidade da renda variável; pelo contrário, pode ser um dos melhores momentos para comprar ações no Brasil, especialmente com a perspectiva de inflexão da política monetária no próximo ano.



