A XP Investimentos recomenda a compra de ações no Brasil, argumentando que o juro real acima de 8% ao ano, combinado com valuations descontados, cria uma janela de oportunidade para investidores. A análise considera que a taxa Selic elevada, projetada para 13,75% ao final de 2025, não impede ganhos na renda variável, especialmente em setores como consumo e tecnologia.
O que justifica a recomendação?
Segundo a XP, o juro real brasileiro é um dos mais altos do mundo, o que tradicionalmente atrai capital estrangeiro. No entanto, a corretora destaca que muitas empresas listadas na B3 estão sendo negociadas a múltiplos inferiores à média histórica, criando margem para valorização. A análise cita que a bolsa brasileira opera com um P/L (preço sobre lucro) de cerca de 9 vezes para os próximos 12 meses, contra uma média de 11 vezes dos últimos cinco anos.
Além disso, a XP aponta que a inflação deve convergir para a meta, e o mercado já precifica cortes de juros no segundo semestre de 2025. "Com a inflação sob controle, o Banco Central tem espaço para afrouxar a política monetária, o que tende a beneficiar ativos de risco", afirma a equipe de análise, em relatório enviado a clientes.
Setores favorecidos e riscos
A corretora identifica oportunidades em empresas domésticas, como varejo, construção e tecnologia. A XP também menciona que a recuperação econômica gradual e o mercado de trabalho aquecido devem sustentar o consumo. No entanto, o relatório alerta para riscos fiscais, com o governo avaliando um pacote de cortes de gastos, e para a volatilidade política, especialmente em ano eleitoral.
"O cenário é desafiador, mas a assimetria de risco-retorno é favorável para quem tem horizonte de longo prazo", destaca a XP. A recomendação é para investidores com perfil agressivo e que estejam dispostos a tolerar oscilações de curto prazo.
Comparação com ativos de renda fixa
Mesmo com a renda fixa pagando juros reais elevados, a XP argumenta que a bolsa pode superar esses retornos em um cenário de normalização econômica. A corretora estima um potencial de alta de 15% a 20% para o Ibovespa em 12 meses, impulsionado por lucros corporativos e revisão de múltiplos.
"O investidor deve diversificar, mas a bolsa brasileira está barata em termos históricos", conclui o relatório. A XP sugere uma alocação de 10% a 15% da carteira em ações brasileiras, com foco em empresas de qualidade e governança.



