A XP Investimentos afirma que vale a pena comprar ações no Brasil mesmo com o juro real acima de 8%. Em relatório, a corretora indica que o cenário de taxas elevadas não impede a busca por ativos de renda variável, especialmente em empresas com forte potencial de crescimento. A recomendação surge em meio a um momento de incertezas fiscais e políticas, mas com valuations atrativos em setores como consumo e tecnologia.
Estratégia da XP para a B3
De acordo com a XP, o juro real brasileiro, que já supera 8% ao ano, é um dos mais altos do mundo. Apesar disso, a corretora enxerga oportunidades em ações que conseguem crescer acima da taxa básica de juros. A análise destaca que empresas como Smart Fit, Nubank e Localiza estão bem posicionadas para a chamada "terceira onda" da bolsa brasileira, que seria marcada pela retomada dos investimentos em empresas de crescimento.
O relatório da XP argumenta que, historicamente, períodos de juros altos tendem a comprimir múltiplos, mas também criam janelas para compra de ativos de qualidade a preços descontados. A corretora recomenda que investidores com perfil de longo prazo mantenham exposição à renda variável, diversificando entre setores defensivos e de crescimento.
Empresas citadas como apostas
Smart Fit, rede de academias, é vista como uma das principais beneficiárias da tendência de consumo de serviços de saúde e bem-estar. Nubank, por sua vez, continua expandindo sua base de clientes e aumentando a receita por usuário, mesmo com a concorrência acirrada no setor bancário. Localiza, locadora de veículos, se destaca pela gestão eficiente e pela demanda aquecida por mobilidade.
A XP também menciona que a "terceira onda" da B3 envolve empresas que estão se beneficiando de mudanças estruturais, como digitalização e novos hábitos de consumo. A corretora acredita que essas companhias têm potencial de gerar retornos superiores à média do mercado no longo prazo.
Impacto no investidor
Para o investidor pessoa física, a recomendação da XP reforça a importância de não abandonar a renda variável em momentos de juros altos. A corretora sugere que a seleção de ações com fundamentos sólidos e crescimento consistente pode superar a renda fixa, mesmo com a Selic elevada. No entanto, alerta para a necessidade de diversificação e paciência.
O relatório chega em um momento em que o mercado observa atentamente os próximos passos do Banco Central em relação à taxa de juros. A XP projeta que a Selic pode cair para 13,75% ao ano, o que ainda manteria o juro real em patamares elevados, mas poderia aliviar a pressão sobre as avaliações das empresas.



