Varejo de Campinas registra queda de 0,8% no quadrimestre
Varejo de Campinas cai 0,8% no quadrimestre

O comércio varejista da região de Campinas voltou a operar no vermelho no acumulado de janeiro a abril de 2026. O faturamento caiu 0,8%, conforme levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O resultado interrompe dois anos consecutivos de crescimento, que haviam sido marcados por altas de 8,9% em 2024 e de 8,1% em 2025.

A pesquisa considera as vendas de produtos e serviços ao consumidor final e traz um diagnóstico direto: o bolso do consumidor está mais apertado, o crédito encareceu e as famílias estão tendo que escolher melhor onde gastam. A região de Campinas, um dos principais polos econômicos do interior paulista, registrou desempenho menos negativo do que a média do Estado de São Paulo, que teve retração de 5,1% no mesmo período.

Três fatores explicam a retração

O assessor econômico da FecomercioSP, Bruno de Souza, atribui a queda a uma combinação de fatores macroeconômicos. “O primeiro deles é a queda no crédito ao consumidor, é um crédito mais restritivo. O segundo é a taxa de juros mais elevada e o terceiro é o endividamento das famílias”, afirma.

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Na prática, isso significa que o consumidor encontra menos condições de financiamento, custos mais altos para parcelar compras e uma parcela maior da renda comprometida com dívidas anteriores. O efeito aparece principalmente nas vendas de itens de maior valor.

  • Crédito ao consumidor mais restritivo
  • Taxa de juros mais elevada
  • Endividamento das famílias

Consumidor prioriza o essencial

Com o orçamento enxuto, os moradores da região mudaram o comportamento de compra. Eles pesquisam mais os preços, comparam opções em diferentes lojas e priorizam itens essenciais no dia a dia. O movimento é típico de períodos de aperto financeiro: o consumo de supérfluos é adiado e as decisões de compra ficam mais racionais.

Por isso, as maiores quedas nas vendas ocorreram em setores como eletrodomésticos, eletrônicos e materiais de construção. Esses segmentos dependem mais de crédito e estão diretamente ligados a planos de troca, reforma ou renovação, que costumam ser deixados para depois quando a situação econômica aperta.

Recuperação parcial no segundo trimestre

Apesar do resultado negativo no quadrimestre, os dados indicam uma recuperação no fim do período. Depois de quedas em janeiro e fevereiro, o comércio da região voltou a crescer em março e abril, puxado pelas vendas de veículos, farmácias e supermercados.

Segundo a FecomercioSP, o começo de 2026 ainda é o segundo melhor resultado para o período desde o início da pesquisa, em 2008. Isso mostra que, mesmo com a queda, a base de comparação segue relativamente elevada e o varejo local está operando em patamar superior ao da maioria dos anos anteriores.

O que esperar para os próximos meses

Especialistas ouvidos na pesquisa avaliam que é preciso aguardar os próximos meses para confirmar se a recuperação observada em março e abril vai se manter. A trajetória do varejo dependerá da evolução do crédito, dos juros e do nível de endividamento das famílias.

No setor de veículos, o cenário é de otimismo. Ademir Júnior, gerente de uma concessionária local, conta que as vendas cresceram 30% no último ano. “Esse ano nós começamos bem. Na Copa do Mundo deu uma pequena queda, mas agora está aquecido, não só sustentando as vendas, mas sustentando a empresa”, diz.

O desempenho positivo nas concessionárias ajuda a explicar a recuperação mais recente do comércio regional e mostra que, em segmentos específicos, o consumidor ainda encontra espaço para gastar, especialmente quando há oferta de condições mais atrativas.

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