A Vale desbancou o Itaú e assumiu a liderança no ranking das ações mais indicadas pelos analistas para agosto, segundo levantamento realizado com as principais corretoras do mercado. O movimento ocorre em meio a uma agenda intensa de proventos: Petrobras, Itaú e Weg também pagam dividendos neste mês, conforme calendário divulgado pelas companhias.
Vale lidera preferência dos analistas
Pela primeira vez no ano, a mineradora Vale aparece como a ação mais recomendada, superando o Itaú, que liderava as indicações desde o início de 2025. A mudança reflete a expectativa de melhora no preço do minério de ferro e a avaliação de que o papel está descontado. Entre as 15 corretoras consultadas, a Vale foi citada em 12 carteiras recomendadas.
O Itaú, por sua vez, caiu para a segunda posição, ainda presente em 11 carteiras. O banco segue como preferência no setor financeiro, mas perdeu espaço diante do apetite por ativos ligados a commodities. Outros destaques do ranking incluem Petrobras, Weg e Banco do Brasil, que completam a lista das cinco ações mais indicadas para o mês.
Dividendos em agosto: Petrobras, Itaú e Weg
Agosto também marca uma janela relevante para investidores que buscam renda. A Petrobras paga, no dia 15, a segunda parcela dos dividendos extraordinários aprovados em julho, no valor de R$ 2,10 por ação. O Itaú deposita, em 1º de agosto, os proventos referentes ao primeiro semestre, de R$ 0,85 por papel. A Weg, por sua vez, distribui R$ 0,40 por ação no dia 20, conforme comunicado oficial.
Especialistas recomendam atenção ao calendário, pois as ações passam a ser negociadas sem direito aos proventos na data ex. Quem comprar após essa data não recebe os dividendos. A agenda completa está disponível no site das companhias e em plataformas de acompanhamento de proventos.
FIIs despencam até 40% após corte de dividendos
Em contrapartida, o mercado de fundos imobiliários (FIIs) vive um momento de turbulência. Alguns papéis despencaram até 40% após a redução nos dividendos distribuídos, conforme levantamento do InfoMoney. As quedas mais acentuadas ocorreram em fundos de papel, que sofrem com a alta da taxa de juros e o aumento da inadimplência em CRIs.
Entre os FIIs que mais caíram estão o VBI CRI (CVBI), que reduziu os proventos em 35%, e o XPS CRI (XPCR), com corte de 28%. Analistas alertam que a queda nos preços pode representar oportunidade, mas recomendam cautela, pois a redução dos rendimentos pode persistir enquanto os juros permanecerem elevados. O Ifix, principal índice do setor, acumula baixa de 8% no ano.
Dólar em queda: ânimo exagerado com Brasil?
O dólar comercial opera em queda neste início de agosto, refletindo o fluxo positivo de capital estrangeiro e a expectativa de corte na Selic. No entanto, analistas alertam que o otimismo pode ser exagerado. O real ainda enfrenta riscos fiscais e políticos, especialmente com a proximidade das eleições. A moeda norte-americana fechou a R$ 4,90 na sexta-feira, acumulando desvalorização de 3% no mês.
Segundo a XP, o Copom deve cortar a taxa básica de juros para 14% na reunião de setembro, mas deve pausar o ciclo de cortes até 2027, retomando a calibração apenas depois. Essa perspectiva contrasta com a visão do mercado de que os juros podem cair mais rapidamente, o que pode gerar volatilidade cambial.
Impacto para investidores
Para quem investe em renda variável, o cenário exige cautela. A preferência por ações de commodities, como Vale e Petrobras, pode ser uma proteção contra a volatilidade do câmbio e dos juros. Já os FIIs, que sofrem com a alta dos juros, devem ser avaliados caso a caso. A diversificação continua sendo a palavra de ordem, segundo especialistas.
O mercado também monitora os desdobramentos políticos, como a definição dos vices nas chapas de Flávio e Zema, e o impacto de possíveis mudanças na política econômica. A recomendação é manter a disciplina e acompanhar os fundamentos das empresas, evitando decisões baseadas apenas em movimentos de curto prazo.



