O novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, sob a gestão Donald Trump, já está gerando repercussões nos mercados globais e no Brasil. A medida, que impõe tarifas sobre uma ampla gama de produtos, apresenta mais de 2 mil exceções, incluindo itens como terras-raras, carne bovina e café. Enquanto isso, o governo brasileiro avalia possíveis retaliações, que podem envolver royalties e patentes farmacêuticas.
Exceções no tarifaço: o que fica de fora?
O tarifaço, que entrou em vigor recentemente, lista mais de 2 mil exceções que limitam o impacto das tarifas sobre determinados setores. Entre os produtos isentos estão terras-raras, carne e café, conforme apurado pela reportagem. A decisão de excluir esses itens reflete a dependência americana de importações estratégicas e a pressão de setores domésticos.
Segundo especialistas, as isenções podem atenuar os efeitos negativos para alguns exportadores brasileiros, mas ainda há alertas sobre os setores mais expostos. A lista completa de exceções foi divulgada pelo governo americano e inclui também insumos industriais e produtos farmacêuticos.
Lei da Reciprocidade: o que diz a legislação americana
O tarifaço foi baseado na chamada Lei da Reciprocidade, que permite aos EUA impor tarifas equivalentes às barreiras comerciais aplicadas por outros países. A lei, aprovada pelo Congresso americano, tem sido usada como instrumento de pressão em negociações comerciais. No caso do Brasil, a medida atinge setores como aço, alumínio e produtos agrícolas.
“A Lei da Reciprocidade é uma ferramenta de negociação, mas seu uso indiscriminado pode gerar escalada de tensões”, afirmou um analista de comércio internacional ouvido pela reportagem.
Impactos nos mercados financeiros
Os mercados reagiram negativamente ao anúncio. O Ibovespa caiu para 174 mil pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram perdas, puxadas por ações de empresas de semicondutores. No Brasil, os juros do Tesouro IPCA+ subiram em toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos.
No mercado de câmbio, o dólar se fortaleceu frente ao real, ampliando a pressão inflacionária. A Copel, por exemplo, viu suas ações caírem 3% após elevar a meta de alavancagem, e o JPMorgan demonstrou cautela em relação aos dividendos da empresa.
Retaliação do Brasil: royalties e patentes na mira
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, avalia medidas de retaliação que podem incluir royalties e patentes farmacêuticas. A estratégia visa atingir setores sensíveis para a economia americana, como a indústria de medicamentos. “É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, declarou Lula, em referência à política externa do governo anterior.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado. “O momento exige diálogo e não confronto”, disse um representante da entidade.
Reações políticas e declarações
O senador Flávio Bolsonaro atacou Lula, comparando-o ao ex-presidente americano Joe Biden e afirmando que o Brasil é um “avião sem piloto”. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também se manifestou, xingando indígenas e sendo alvo de representação na PGR.
Enquanto isso, o presidente Lula culpou a família Bolsonaro pela ação dos EUA, gerando um novo capítulo na polarização política brasileira. O embate promete se intensificar nos próximos dias, com possíveis reflexos nas eleições de 2026.
Oportunidades e riscos para investidores
Para investidores, o cenário é de cautela. A renda fixa brasileira oferece taxas atrativas, com CDBs, LCIs e LCAs apresentando rendimentos elevados. No entanto, a volatilidade dos mercados exige estratégias defensivas. Hedge funds chineses que lucraram com inteligência artificial começam a buscar saída, enquanto gestores como a Kinea questionam se o investimento de US$ 1 trilhão em IA terá retorno.
No setor imobiliário, fundos de investimento (FIIs) começam a ver resultados com a recompra de cotas, segundo gestores. Já as holdings patrimoniais impulsionam o mercado de luxo em Itapema, Santa Catarina.
Perspectivas para o Brasil e o mundo
O tarifaço americano deve continuar pressionando a economia global. O Irã ameaça fechar mais rotas marítimas, elevando a tensão sobre o estreito de Hormuz. Israel intensifica ataques em Gaza, enquanto o número de mortos em terremotos na Venezuela passa de 4,8 mil.
No Brasil, a expectativa é de que o governo busque negociação, mas sem abrir mão da soberania. A Lei da Reciprocidade pode ser usada como argumento para uma trégua, mas a retórica belicosa de ambos os lados dificulta um acordo rápido.



