O banco francês Societe Generale encerrou suas apostas na valorização do real, avaliando que o mercado financeiro está subestimando a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi comunicada em relatório enviado a clientes nesta quarta-feira.
Estratégia de encerramento de posições
De acordo com o banco, a posição comprada em real foi encerrada após uma análise mais aprofundada do cenário político e fiscal brasileiro. O Societe Generale destacou que, embora o real tenha se beneficiado de um ambiente externo favorável, os riscos domésticos aumentaram significativamente.
“O mercado parece estar ignorando o impacto fiscal das promessas de campanha de Lula e a possibilidade de sua reeleição em 2026”, afirmou o banco no relatório. A instituição também mencionou que a deterioração das contas públicas e a incerteza sobre a política fiscal podem pressionar a moeda brasileira no médio prazo.
Contexto político e fiscal
A avaliação do Societe Generale ocorre em meio a um debate acirrado sobre a sustentabilidade fiscal do Brasil. O governo Lula tem enfrentado críticas por aumentar os gastos públicos, especialmente com programas sociais, sem contrapartidas claras de receitas. O mercado tem monitorado de perto as discussões sobre a meta fiscal e a possibilidade de um descontrole orçamentário.
O banco francês ressaltou que, apesar de o real ter se valorizado nos últimos meses, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelos preços elevados das commodities, os fundamentos domésticos permanecem frágeis. “A reeleição de Lula em 2026 não está precificada nos ativos brasileiros”, alertou o relatório.
Impacto no mercado
A decisão do Societe Generale reflete uma cautela crescente entre investidores internacionais em relação ao Brasil. Analistas apontam que, se outros grandes bancos seguirem o mesmo caminho, o real pode sofrer pressão adicional. O banco também reduziu sua exposição a outros ativos brasileiros, como títulos de dívida, devido à percepção de maior risco.
“A probabilidade de reeleição de Lula é maior do que o mercado supõe, e isso pode levar a políticas fiscais mais expansionistas, gerando inflação e desvalorização cambial”, afirmou o economista-chefe do Societe Generale para América Latina, em nota. A instituição não divulgou o volume exato das posições encerradas.
Perspectivas para o real
Com o encerramento da aposta no real, o Societe Generale adota uma postura mais defensiva em relação à moeda brasileira. O banco recomenda que investidores busquem proteção contra a volatilidade cambial, especialmente diante de eventos políticos importantes, como as eleições de 2026. A previsão do banco é de que o real pode se desvalorizar entre 5% e 10% nos próximos meses, caso o cenário fiscal não melhore.



