O Santander Brasil registrou queda de mais de 6% no valor de suas ações nesta quarta-feira, após divulgar resultados do segundo trimestre que frustraram as expectativas do mercado. O banco reportou provisões para devedores duvidosos (PDD) acima das projeções e receitas mais fracas, especialmente em operações de crédito.
Resultados do 2º trimestre
O lucro líquido gerencial do Santander Brasil no período foi de R$ 3,2 bilhões, abaixo do consenso de mercado que esperava R$ 3,6 bilhões. A principal pressão veio das provisões, que totalizaram R$ 5,1 bilhões, superando as estimativas em cerca de 10%. As receitas com prestação de serviços também decepcionaram, crescendo apenas 2% na comparação anual, enquanto o mercado projetava alta de 5%.
O índice de eficiência do banco piorou para 41,5%, ante 39% no mesmo período do ano anterior, indicando aumento de custos. A margem financeira líquida, medida importante de rentabilidade, ficou estável, sem o crescimento esperado.
Reação do mercado
Analistas do Credit Suisse classificaram o balanço como 'negativo' e reduziram o preço-alvo da ação de R$ 30 para R$ 27. Já o BTG Pactual afirmou que os números indicam desafios na qualidade do crédito e na geração de receitas. A ação SANB11 fechou o dia cotada a R$ 23,50, acumulando queda de 15% no ano.
O desempenho do Santander contrasta com o de seus pares, como Itaú Unibanco e Bradesco, que apresentaram resultados mais sólidos no trimestre. O mercado agora aguarda os próximos balanços para avaliar se o problema é específico do Santander ou setorial.
Perspectivas e recomendações
Para o segundo semestre, a expectativa é de que o banco continue enfrentando pressão sobre a margem financeira, com a manutenção da taxa Selic em patamar elevado. Além disso, a inadimplência pode permanecer alta, exigindo provisões adicionais. A recomendação de vários analistas é de cautela com o papel, e alguns já sugerem venda.
O Santander Brasil, por sua vez, afirmou em comunicado que está focado em melhorar a eficiência operacional e ajustar a precificação do crédito para proteger a rentabilidade. A ação ainda pode sofrer volatilidade nos próximos dias, com investidores aguardando mais detalhes sobre a estratégia do banco.



