Petrobras cai, dólar sobe e juros futuros disparam após falas de Lula
Petrobras cai, dólar sobe e juros disparam após Lula

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte aversão ao risco nesta sexta-feira, após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a meta fiscal e preços de combustíveis. A Petrobras (PETR4) recuou mais de 3%, o dólar comercial saltou para R$ 5,36, e as taxas dos contratos futuros de juros dispararam, com o DI para janeiro de 2027 subindo 14 pontos-base. As falas de Lula geraram incertezas sobre a disciplina fiscal e a política de preços da estatal.

Lula critica meta fiscal e sugere intervenção nos combustíveis

Em entrevista a radialistas, Lula afirmou que 'não tem compromisso com meta fiscal' e que o governo precisa 'gastar mais' para impulsionar a economia. Ele também criticou a política de preços da Petrobras, insinuando que a empresa deveria reduzir os preços dos combustíveis para conter a inflação. 'A Petrobras não pode continuar dando lucro em cima do povo brasileiro. É preciso atuar para baixar o preço da gasolina e do diesel', disse o presidente, segundo relatos de jornalistas que acompanharam a coletiva.

Tesouro IPCA+ atinge 8,27% e títulos prefixados sobem

As taxas dos títulos públicos atrelados à inflação também dispararam. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 pagava 8,27% ao ano no fechamento, maior nível desde a criação do título. As NTN-Bs longas superaram 8,5%. Já os prefixados, como o Tesouro Prefixado 2029, subiram para 15,2% ao ano, com investidores exigindo maior prêmio diante do risco fiscal.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Desemprego cai a 5,4%, mas não alivia pressão sobre Selic

O IBGE divulgou que a taxa de desemprego recuou para 5,4% no trimestre encerrado em junho, menor nível desde 2012. O dado mostrou um mercado de trabalho aquecido, com rendimento médio estável. No entanto, o movimento não foi suficiente para reduzir as apostas de alta da Selic. O mercado de juros futuros já precifica uma alta de 0,25 ponto na próxima reunião do Copom, em setembro. 'O desemprego baixo e a inflação de serviços pressionada indicam que o ciclo de aperto monetário não terminou', avaliou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

Petrobras e setor de óleo e gás: incerteza regulatória pesa

As ações da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 3,25%, cotadas a R$ 32,11. Os papéis da Prio (PRIO3) e da 3R Petroleum (RRRP3) também recuaram, com perdas de 2,5% e 1,8%, respectivamente. Analistas do BTG Pactual destacaram que a fala de Lula sobre combustíveis 'reacende o risco de intervenção governamental na estatal', o que afeta negativamente a percepção de risco para todo o setor.

Dólar e fluxo cambial: exportadores seguram vendas

O dólar comercial subiu 2,3%, cotado a R$ 5,3630, maior nível desde janeiro. A alta foi puxada pela fuga de capital estrangeiro e pela expectativa de que o Banco Central possa reduzir o ritmo de cortes na Selic. O fluxo cambial ficou negativo em US$ 1,2 bilhão na semana, segundo dados do BC. Exportadores, que normalmente vendem dólares para aproveitar a cotação alta, reduziram as operações, aguardando uma nova alta da moeda.

Ibovespa cai pressionado por bancos e mineração

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 1,42%, aos 114.320 pontos, com queda generalizada. As ações de bancos, como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), recuaram mais de 2%, enquanto a Vale (VALE3) perdeu 1,5% com o minério de ferro em baixa na China. O índice de volatilidade VIX subiu para 22 pontos, indicando maior aversão ao risco.

Expectativas para a próxima semana: PIB e dados de inflação

Na semana que vem, o mercado acompanhará a divulgação do PIB do segundo trimestre, na quinta-feira (2/9), e o IPCA-15 de agosto, na sexta-feira (3/9). Economistas consultados pelo Boletim Focus esperam crescimento de 0,4% no PIB trimestral, enquanto a inflação de serviços deve acelerar para 0,6% no mês. Qualquer surpresa positiva pode aumentar a pressão sobre o Banco Central para elevar a Selic.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar