A Apple divulgou na quinta-feira resultados do terceiro trimestre fiscal que superaram as estimativas de receita, mas o mercado reagiu negativamente devido à fraqueza nas vendas na China e ao desempenho abaixo do esperado no segmento de serviços. A receita total atingiu US$ 85,8 bilhões, acima dos US$ 84,5 bilhões projetados por analistas consultados pela Refinitiv. No entanto, as vendas na região da Grande China caíram 6% em relação ao ano anterior, para US$ 14,7 bilhões, frustrando as expectativas de recuperação naquele mercado.
Detalhes financeiros do trimestre
O lucro por ação foi de US$ 1,26, superando a previsão de US$ 1,19. A margem bruta ficou em 44,5%, dentro do guidance da empresa. O segmento de serviços, que inclui App Store, Apple Music e iCloud, registrou receita de US$ 21,2 bilhões, um aumento de 12% ano a ano, mas abaixo da estimativa de US$ 21,6 bilhões. Esse resultado decepcionante levou a uma queda de até 3% nas ações no after-market. O CEO Tim Cook comentou: "Estamos satisfeitos com o recorde de receita geral, mas ainda temos trabalho a fazer na China, onde a concorrência está acirrada e o ambiente macroeconômico está desafiador".
Impacto das vendas do iPhone e outros produtos
As vendas do iPhone totalizaram US$ 39,7 bilhões, alta de 2% em relação ao ano anterior, dentro do esperado. O Mac gerou US$ 7,0 bilhões, queda de 5%, enquanto o iPad vendeu US$ 6,2 bilhões, abaixo dos US$ 6,5 bilhões projetados. Os acessórios vestíveis, como Apple Watch e AirPods, caíram 8% para US$ 8,1 bilhões. A empresa atribuiu a fraqueza na China a fatores cambiais e ao aumento da concorrência de fabricantes locais como Huawei e Xiaomi. "O mercado chinês é um dos mais dinâmicos do mundo, e estamos ajustando nossas estratégias de marketing e canais de distribuição", afirmou Cook.
Perspectivas para o próximo trimestre
A Apple forneceu guidance para o quarto trimestre fiscal com receita entre US$ 85,0 bilhões e US$ 89,0 bilhões, ligeiramente abaixo da mediana das expectativas de US$ 88,2 bilhões. A empresa espera uma margem bruta entre 44% e 45%. O CFO Luca Maestri destacou que o crescimento dos serviços deve acelerar no segundo semestre com novos lançamentos. No entanto, analistas do Morgan Stanley alertaram que a desaceleração na China e a demanda moderada por serviços podem pressionar os resultados nos próximos meses. "O mercado de smartphones na China está saturado, e a Apple precisará inovar para manter sua posição", disse o analista Erik Woodring.
Reação do mercado e conclusão
As ações da Apple recuaram 2,4% nas negociações após o fechamento, refletindo a decepção com os segmentos que mais contribuem para a lucratividade. A empresa também anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 90 bilhões, mas isso não foi suficiente para conter o pessimismo. No acumulado do ano, os papéis sobem 14%, impulsionados pelo otimismo em torno da inteligência artificial. Apesar dos desafios na China, a Apple continua a gerar fluxo de caixa robusto, com US$ 28,5 bilhões em operações no trimestre. A curto prazo, a atenção se volta para o lançamento do iPhone 16, previsto para setembro. Como concluiu Tim Cook: "Nossa base instalada ativa nunca foi tão grande, e acreditamos que a inovação continuará a impulsionar nosso crescimento no longo prazo".



