O novo marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado, João Silva, declarou há exatos dois meses que não voltaria a trabalhar em eleições. A contradição veio à tona nesta semana, gerando debates sobre a credibilidade do estrategista e da candidatura.
A declaração anterior
Em entrevista ao jornal O Globo em maio, João Silva foi categórico: “Não pretendo mais atuar em campanhas políticas. A pressão e o desgaste pessoal são grandes demais.” Na ocasião, ele afirmava estar focado em projetos pessoais e consultorias empresariais.
A fala repercutiu entre colegas de profissão, que na época especularam sobre os motivos da desistência. Alguns apontaram o desgaste após a campanha presidencial de 2022, na qual ele trabalhou para outro candidato.
A nova função
Na última segunda-feira, no entanto, a equipe de Flávio Bolsonaro confirmou a contratação de Silva como marqueteiro chefe para a disputa ao Senado. “João tem vasta experiência e alinhamento com nossos valores”, disse a assessoria em nota.
Procurado, Silva não comentou a mudança de posição. Fontes próximas afirmam que ele foi convencido pela importância da candidatura e pela liberdade criativa oferecida. “O chamado do serviço público falou mais alto”, disse um amigo, sob anonimato.
Impacto e reações
A contradição gerou críticas de adversários. O deputado estadual Carlos Pereira (MDB) ironizou: “É esse tipo de compromisso que esperamos de um marqueteiro que vai vender uma imagem de confiança?” Já apoiadores de Flávio Bolsonaro minimizaram. “Todos têm direito de mudar de ideia”, afirmou a deputada Ana Costa (PL).
Especialistas em marketing político dividem opiniões. Para o professor da UnB, Marcos Almeida, “a sinceridade é um ativo, mas a mudança de rota, se bem explicada, pode não prejudicar”. Já a consultora Renata Oliveira alerta: “Em tempos de hipertransparência, contradições viram munição.”
Números e contexto
Flávio Bolsonaro busca uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro. Pesquisas recentes mostram empate técnico com o atual senador. A campanha deve investir cerca de R$ 5 milhões em marketing, dos quais uma parte será gerenciada por Silva.
O contrato de Silva, segundo apurou a reportagem, prevê bônus por metas de engajamento digital. A estratégia focará em redes sociais, onde Flávio já tem boa penetração.
Histórico do marqueteiro
João Silva tem 20 anos de carreira e já atuou em campanhas vitoriosas para prefeitura e governo estadual. Em 2018, coordenou a comunicação de um candidato ao governo de São Paulo que ficou em segundo lugar. Seu trabalho é reconhecido pelo uso intensivo de dados e segmentação.
Ele se tornou conhecido nacionalmente em 2022, quando liderou a comunicação de um presidenciável de partido de centro. Após a derrota, anunciou o afastamento das campanhas. “Foi um período desgastante”, disse na época.
A volta ao rito eleitoral pegou muitos de surpresa. “Ele sempre foi muito enfático de que não voltaria”, comentou um ex-colega. “Mas, convenhamos, o dinheiro e o poder atraem.”



