O barril do Brent, referência internacional do petróleo, fechou julho cotado a US$ 83,30, impulsionado por uma nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã e pela retomada do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Apesar da alta, o valor ainda está bem abaixo do pico de US$ 118,03 registrado em abril, após um período de queda que levou a commodity a flertar com os US$ 70.
Trégua frágil mantém mercado em alerta
O acordo preliminar assinado em meados de junho para encerrar o conflito no Oriente Médio foi rompido mais de uma vez. Menos de duas semanas após a assinatura, os dois países voltaram a trocar ataques com mísseis e drones, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo. Após dias de confrontos, EUA e Irã concordaram em interromper as hostilidades e retomar as negociações, com mediação do Catar e do Paquistão. Representantes relataram um "avanço positivo" nas conversas, mas uma nova onda de ataques nos últimos dias colocou o frágil acordo em xeque.
Além dos bombardeios, o presidente dos EUA, Donald Trump, retomou o bloqueio naval ao Irã no Estreito de Ormuz e ameaçou cobrar um pedágio de 20% sobre a carga de todos os navios que passassem pelo canal, mas voltou atrás e disse que substituiria a taxa por "acordos comerciais e de investimentos com os países do Golfo". O tráfego ainda limitado no estreito aumenta as preocupações com a oferta de petróleo, enquanto a demanda global continua elevada, impulsionada pelo verão no Hemisfério Norte.
Por que gasolina e diesel continuam caros no Brasil
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que diesel e gasolina acumulam altas de cerca de 10% e 5%, respectivamente, desde o início da guerra, em fevereiro. Segundo especialistas consultados pelo g1, a demora na queda dos preços é resultado de uma combinação de fatores, como as incertezas sobre os desdobramentos do conflito e o subsídio anunciado pelo governo, que ajudou a conter o encarecimento e deve limitar também a redução dos preços.
“A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”, afirma o analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro.
Para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a inflação, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões a medidas de contenção. A Petrobras também atuou para conter os preços nos momentos mais críticos, evitando repassar imediatamente os aumentos aos consumidores. “O aumento não chegou com tanta intensidade ao consumidor final. E, como a alta foi mais moderada, não há espaço para quedas também muito intensas”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
Subsídios e mistura de etanol não devem reduzir preços
Recentemente, a Petrobras reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35 após o encerramento do subsídio bancado pelo governo. Como a queda apenas compensou o fim do benefício, os preços praticados para as distribuidoras permaneceram inalterados. O governo também adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina, após a nova escalada do conflito.
Os especialistas afirmam que mesmo o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, não deve ser suficiente para provocar uma redução relevante nos postos. “Esse aumento é importante, mas, por si só, não deve se refletir em uma redução significativa da gasolina. O principal fator que vai determinar a alta ou a queda dos preços é a situação do mercado internacional e a forma como esse movimento se transmite aos produtos importados que chegam aos portos brasileiros”, completa Cordeiro.



