Petróleo em queda derruba Ibovespa e pressiona real
Petróleo em queda derruba Ibovespa e real

A desvalorização do petróleo nos mercados internacionais retirou o suporte que o Ibovespa e o real vinham recebendo, levando a bolsa brasileira a operar em queda e o dólar a subir frente à moeda brasileira. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a desaceleração da economia global e o aumento da oferta da commodity.

Queda do petróleo pressiona ativos brasileiros

Nesta segunda-feira, o barril do petróleo tipo Brent recuava mais de 2%, negociado em torno de US$ 70, enquanto o WTI caía para perto de US$ 66. A queda é atribuída a dados fracos da China, maior importadora de petróleo, e à expectativa de aumento da produção por parte da Opep+. Com isso, as ações da Petrobras, que têm peso relevante no Ibovespa, recuavam cerca de 3%, puxando o índice para baixo.

O Ibovespa operava em baixa de 1,2%, aos 127.500 pontos, após ter fechado a semana passada em alta. O dólar comercial subia 0,8%, cotado a R$ 5,45, refletindo a aversão ao risco e a saída de recursos de mercados emergentes. Segundo analistas, a queda do petróleo reduz as receitas de exportação do Brasil e piora o cenário fiscal, o que aumenta a pressão sobre a moeda.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na economia brasileira

A desvalorização do petróleo tem efeitos diretos sobre a economia brasileira. O Brasil é um dos maiores produtores da commodity, e a Petrobras é uma das principais empresas do país. A queda nos preços reduz a arrecadação de royalties e impostos, afetando as contas públicas. Além disso, a inflação pode ser beneficiada, já que a energia e os combustíveis ficam mais baratos, mas o efeito negativo sobre o crescimento e o emprego preocupa o governo.

Segundo o economista-chefe de uma corretora, "a queda do petróleo é uma faca de dois gumes: ajuda a conter a inflação, mas prejudica as contas externas e o setor de energia". Ele ressalta que, se o movimento persistir, o Banco Central pode ter mais espaço para cortar a taxa Selic, mas o câmbio mais depreciado pode limitar esse alívio.

Mercado monitora cenário externo

Os investidores acompanham de perto os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, além das decisões dos bancos centrais. A queda do petróleo também afeta outras moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano. No Brasil, o mercado aguarda a divulgação do IPCA de julho e a ata do Copom, que podem dar sinais sobre a trajetória dos juros.

Na visão de um gestor de fundos, "o cenário externo continua sendo o principal vetor para os ativos brasileiros. A queda do petróleo adiciona incerteza, mas o mercado já precificava uma correção". Ele recomenda cautela aos investidores, que devem diversificar suas carteiras e proteger-se contra a volatilidade.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar