Payroll abaixo do esperado: EUA criam 57 mil vagas em junho
Payroll abaixo do esperado: EUA criam 57 mil vagas em junho

Os Estados Unidos criaram apenas 57 mil novos postos de trabalho em junho, número muito abaixo da expectativa do mercado, que projetava cerca de 200 mil vagas. O dado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho americano e representa o menor crescimento mensal desde janeiro de 2021, quando a economia ainda sentia os efeitos da pandemia.

Detalhes do relatório de emprego

O relatório de empregos, conhecido como Payroll, também mostrou que a taxa de desemprego subiu para 4,1%, ante 4,0% em maio, contrariando a previsão de estabilidade. Os salários médios por hora cresceram 0,3% na comparação mensal, em linha com o esperado, mas no acumulado de 12 meses o avanço foi de 3,9%, ligeiramente abaixo dos 4,0% previstos.

O setor de saúde e assistência social foi o que mais contribuiu para a criação de vagas, com 25 mil novos postos. Já a construção civil perdeu 5 mil empregos, e o setor de lazer e hospitalidade adicionou apenas 10 mil, sinalizando desaceleração.

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Impacto nos mercados e no Fed

O resultado fraco reforça a percepção de que o mercado de trabalho americano está perdendo força, o que pode levar o Federal Reserve (Fed) a reconsiderar o ritmo de alta de juros. Atualmente, a taxa básica está na faixa de 5,25% a 5,50%, e a maioria dos investidores esperava uma manutenção na próxima reunião. Com o Payroll abaixo do esperado, aumentam as apostas em um corte de juros ainda neste ano.

Logo após a divulgação, o dólar acelerou a queda frente às principais moedas. O índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de seis rivais, recuou 0,5%. No Brasil, o dólar comercial caiu mais de 1%, cotado a R$ 5,10 no início da tarde.

Reações de analistas

Segundo Thomas Simons, economista da Jefferies, "o relatório de junho é decepcionante e sugere que a economia está perdendo ímpeto mais rápido do que se pensava. Se essa tendência se mantiver, o Fed pode ter que agir antes do previsto para evitar uma recessão."

Já Claudia Sahm, ex-economista do Fed, afirmou que "o mercado de trabalho ainda está apertado, mas a desaceleração é clara. A regra de Sahm, que sinaliza recessão quando a média móvel de três meses do desemprego sobe 0,5 ponto percentual em relação à mínima dos 12 meses anteriores, está cada vez mais próxima de ser acionada."

Perspectivas para os próximos meses

Com a criação de vagas bem abaixo do esperado, os economistas revisam suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre. O mercado de trabalho é um dos principais indicadores monitorados pelo Fed, e a fraqueza recente pode influenciar as decisões de política monetária. A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) está marcada para os dias 30 e 31 de julho.

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