A Polícia Civil investiga um esquema de fraudes no agronegócio que teria causado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos. O contador Paulo César Maciel dos Santos, apontado como chefe do grupo, está foragido. Segundo as investigações, os suspeitos pagavam cerca de R$ 2 mil mensais para usar o nome de terceiros como "laranjas", utilizando o reconhecimento facial dessas pessoas para autorizar transferências milionárias.
Funcionamento do esquema
De acordo com a apuração, os suspeitos dependiam da biometria dos laranjas para movimentar contas bancárias usadas nas fraudes e validar pagamentos e transferências de alto valor. Paulo César supostamente lidava diretamente com os laranjas e contava com a ajuda de Ítalo Paz Koche, indicado como gerente geral do escritório de contabilidade. Ítalo Paz foi alvo de mandado de busca e apreensão na terça-feira (23). O g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem.
Laranjas recebiam R$ 2 mil por mês
Os investigadores apontam que os laranjas recebiam cerca de R$ 2 mil por mês para "emprestar" o nome e figurar como sócios de empresas utilizadas no esquema. Essas pessoas eram incluídas formalmente nos contratos sociais, mas não tinham controle sobre as operações financeiras. A investigação indica que o grupo utilizava essas empresas para simular negociações milionárias no setor do agronegócio.
Créditos fictícios de ICMS
Com notas fiscais consideradas falsas, os envolvidos geravam créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que eram usados para reduzir tributos devidos por terceiros. Em apenas seis meses, uma das principais empresas declarou uma movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas cerca de R$ 39 mil em tributos.
Operação El Dourado
A Polícia Civil investiga um esquema que usa empresas de fachada para simular negociações milionárias no setor do agronegócio, gerando créditos fraudulentos de ICMS. Segundo a polícia, o grupo era composto por empresas de fachada. No esquema, os integrantes simulavam negociações com grãos como soja e milho por meio de notas fiscais falsas para gerar créditos de ICMS.
Prisão e foragido
No dia 24 de março de 2026, a polícia cumpriu um mandado de prisão preventiva em Unaí (MG), contra o principal responsável pelo esquema. Outro mandado de prisão preventiva foi expedido contra Paulo César, mas ele não foi localizado e é considerado foragido. Segundo a polícia, as empresas operavam com estruturas que não eram declaradas. Ex-funcionárias disseram em depoimentos que eram contratadas para manter o local aberto para dar aparência de legalidade.



