Pastor Márcio Poncio é preso na 5ª fase da Operação Unha e Carne
Pastor Márcio Poncio preso na Operação Unha e Carne

A Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio na manhã desta quinta-feira (2), na 5ª fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga pagamentos do jogo do bicho e da Máfia do Cigarro a agentes públicos. Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), foi detido em um flat na Praia da Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Reação da deputada

Em nota, Sarah Poncio afirmou que este é um dos dias mais difíceis de sua vida. "Como filha, esse é um dos momentos mais difíceis da minha vida. Tenho absoluta confiança na inocência do meu pai e acredito que ele terá a oportunidade de demonstrar a verdade dos fatos no curso do processo, com todas as garantias asseguradas pela Constituição", declarou.

Detalhes da operação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu três mandados de prisão, incluindo contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar — ambos já estavam encarcerados. Também foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, sendo um dos alvos o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. A PF determinou o sequestro de bens e valores até R$ 22 milhões.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Segundo a PF, a 5ª fase "busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo 'capo' da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ". A ação se insere no contexto da ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas, que determinou investigações sobre grupos criminosos violentos e suas conexões com agentes públicos.

Defesas dos investigados

O advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, afirmou: "O que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva."

A defesa de Adilsinho declarou: "A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal."

Já Marco Antônio Cabral, em nota, afirmou: "Marco Antônio Cabral recebeu, na manhã desta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita."

A Máfia do Cigarro

Em 2024, o g1 revelou como age a Máfia do Cigarro no Rio de Janeiro. Segundo investigações, a quadrilha de Adilsinho controlava ao menos 45 dos 92 municípios do estado. Apenas maços produzidos pelo grupo podiam ser vendidos na região, e quem desrespeitasse corria risco de vida. De 2018 a 2023, dados do Ipec apontam que a sonegação fiscal do cigarro falsificado chegou a R$ 10 bilhões em todo o Brasil, sendo mais de R$ 2 bilhões só no Rio de Janeiro. A marca Gift, contrabandeada do Paraguai, era vendida ilegalmente. Para manter o monopólio, a máfia passou a falsificar cigarros em fábricas locais, inicialmente com mão de obra paraguaia, e obriga comerciantes a vender apenas o produto falsificado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar