O mercado financeiro ampliou as apostas em cortes de juros e agora projeta a taxa Selic a 13,75% ao ano no fim de 2026, de acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. A estimativa anterior, na semana passada, indicava 14% ao ano.
O movimento reflete a percepção de que a inflação está sob controle e que o Banco Central terá espaço para afrouxar a política monetária. A mediana das expectativas para a Selic no fim deste ano também caiu, de 15% para 14,75%.
Projeções para a inflação
Para a inflação, o mercado reduziu a projeção do IPCA para 2026, de 5,2% para 5,1%. Para 2027, a estimativa ficou em 4,0%. O Boletim Focus é uma pesquisa semanal com instituições financeiras sobre indicadores econômicos.
A redução nas projeções de juros vem acompanhada de uma melhora nas expectativas para a atividade econômica. O mercado manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,9% para este ano, mas elevou a de 2027 de 1,8% para 1,9%.
Impacto para a economia
A expectativa de juros mais baixos tende a estimular o crédito e o consumo, mas também pode pressionar o câmbio. O dólar comercial fechou a R$ 5,30, em leve queda, refletindo o cenário externo.
Especialistas avaliam que a decisão do Copom na próxima reunião, prevista para setembro, deve ser influenciada por esses números. O comitê já sinalizou que pretende reduzir a taxa atual de 15% ao ano, mas a magnitude do corte dependerá da inflação e do cenário fiscal.
"A tendência é de queda gradual, mas o Banco Central deve agir com cautela para não comprometer a credibilidade da política monetária", afirma o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não se identificar.
O boletim também mostrou que o mercado espera um superávit primário de 0,2% do PIB em 2026, mantendo a meta fiscal. Para a dívida pública, a projeção é de estabilidade em 74,5% do PIB.



