Juros futuros fecham em alta com cautela eleitoral e temor de sanções dos EUA
Juros futuros sobem com cautela eleitoral e sanções

Os juros futuros brasileiros encerraram a sessão desta terça-feira com viés de alta, interrompendo o movimento de queda observado pela manhã. A mudança de direção ocorreu no período da tarde, quando o mercado passou a precificar maior cautela com o cenário eleitoral e o risco de novas sanções diplomáticas por parte dos Estados Unidos. O movimento foi contrário ao otimismo externo, que se manteve firme ao longo do dia, sustentado pela expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz.

Taxas futuras e o comportamento da curva

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 ficou estável em 13,79%, ante o ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2028 subiu de 13,794% para 13,835%. O contrato para janeiro de 2029 voltou a operar na casa de 14%, com alta para 14,020%, contra 13,974% do ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2031 encerrou com taxa de 14,210%, acima dos 14,195% registrados na segunda-feira.

Até meados da tarde, as taxas, especialmente as de longo prazo, mostravam recuo consistente desde o fechamento de sexta-feira. No entanto, a piora na percepção sobre o quadro eleitoral e o temor de novas sanções dos EUA levaram os investidores a realizar parte dos ganhos, revertendo a trajetória de queda.

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Cautela eleitoral e pesquisas de intenção de voto

Profissionais de renda fixa atribuíram a postura defensiva aos receios sobre os resultados das pesquisas Genial/Quaest e Meio/Ideia, que serão divulgadas na quarta-feira. Circularam no mercado trackings mais favoráveis ao presidente Lula, o que gerou desconforto entre agentes que apostam em um cenário de mudança de governo. Na segunda-feira, a pesquisa BTG/Nexus havia animado o mercado ao mostrar empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro e segundo turno.

O mercado enxerga em uma eventual troca de governo maior chance de ajuste nas contas públicas, o que abriria caminho para cortes mais profundos na Selic. A resistência de partidos de direita em apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, bem como a demora em definir uma vice feminina em sua chapa, também contribui para o desconforto.

“O mercado parece estar se protegendo contra o que podem trazer as pesquisas que saem amanhã e que normalmente têm mostrado Flávio menos competitivo”, afirmou o economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia.

Diplomacia e sanções dos EUA

Outro fator que impulsionou a realização de lucros veio da área diplomática. Segundo o portal Exame, o governo brasileiro espera o anúncio de novas sanções por parte dos Estados Unidos nos próximos dias, em resposta à decisão do Brasil de negar vistos a funcionários do governo americano. Essa expectativa aumentou a aversão ao risco entre os investidores locais.

Enquanto o cenário interno inspirava cautela, o exterior seguia com apetite por risco. O secretário de Estado dos EUA, Scott Bessent, declarou que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz poderia ser fechado “entre hoje e amanhã”, informação endossada pela TV Al Arabiya. O petróleo Brent caiu mais de 5%, fechando abaixo de US$ 80, o que pressionou os rendimentos dos Treasuries para baixo.

Dados econômicos e política monetária

Além do cenário internacional mais construtivo, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) também ajudou a curva local a se manter em queda pela manhã. A produção industrial recuou 1,8% em junho ante maio, três vezes mais do que o consenso de mercado, que previa queda de 0,6%. O dado reforçou a percepção de desaceleração da economia.

Para Beto Saadia, o resultado da PIM, somado ao alívio do petróleo, ao Caged e ao IPCA-15, alimenta um contexto recente favorável ao DI. Ele avalia que esses dados aumentam as chances de o Copom não apenas reduzir a Selic em 25 pontos-base na quarta-feira, mas também dar continuidade ao ciclo de cortes. “Desde o último Copom, os dados estão vindo bem e justificam a queda amanhã. Para a próxima reunião deve ser a mesma coisa, os dados devem continuar viabilizando novos cortes”, disse Saadia.

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Expectativas para o comunicado do Copom

Para o comunicado que acompanhará a decisão, Saadia acredita que o Copom manterá a estratégia adotada na reunião de junho, deixando as próximas decisões em aberto, “dependente de dados”. A expectativa é de que o tom seja cauteloso, mas com espaço para novos cortes caso a inflação continue em trajetória benigna.

O mercado permanece atento aos próximos indicadores e ao desenrolar do cenário político, que seguem como principais vetores de volatilidade para a curva de juros no curto prazo.