Haiti: mais de 5.500 casos de violência sexual em seis meses
Haiti: 5.500 casos de violência sexual no 1º semestre

O Haiti registrou mais de 5.500 casos de violência sexual no primeiro semestre de 2026, segundo relatório divulgado por organizações de direitos humanos. Setenta por cento das vítimas são meninas e mulheres que vivem em condição de deslocamento forçado, agravada pela violência generalizada das gangues que controlam grande parte do país, incluindo a capital Porto Príncipe.

Violência de gangues atinge crianças e adolescentes

Os dados revelam que a maioria dos ataques ocorre em áreas dominadas por grupos armados, que utilizam o estupro como arma de guerra e controle territorial. Crianças e adolescentes representam cerca de 40% das vítimas, muitas vezes sequestradas e submetidas a abusos repetidos. A ausência de segurança pública e a impunidade favorecem a escalada da violência.

“Estamos diante de uma catástrofe humanitária. As mulheres e meninas haitianas estão sendo atacadas de forma sistemática, sem qualquer proteção do Estado”, afirmou representante da ONU no país, em nota oficial.

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Crise política e econômica agravam situação

O Haiti enfrenta uma crise política profunda desde o assassinato do presidente em 2021, com governos provisórios frágeis e eleições adiadas. A economia colapsou, com inflação elevada e escassez de alimentos e combustíveis. Mais de 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas internamente, vivendo em abrigos superlotados e sem condições sanitárias mínimas.

As gangues controlam cerca de 80% da capital, impondo toques de recolher e cobrando pedágios ilegais. O sistema de justiça está paralisado, e a polícia, mal equipada, não consegue conter os avanços criminosos. A comunidade internacional prometeu ajuda, mas os recursos chegam lentamente.

Apelo por ação internacional

Organizações não governamentais pedem o envio de uma força internacional de segurança para proteger a população civil. O Conselho de Segurança da ONU já discutiu a possibilidade, mas não há consenso entre os países-membros. Enquanto isso, a violência sexual continua a destruir vidas.

Mais de 5.500 casos em seis meses equivalem a uma média de 30 ataques por dia. Especialistas alertam que os números reais podem ser muito maiores, devido à subnotificação causada pelo medo e estigma.

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