Os juros futuros fecharam em queda nesta quarta-feira, com a curva de juros apresentando um achatamento, em meio à queima de prêmios de risco. O movimento foi impulsionado pela aparente redução das tensões no Oriente Médio e pelo tombo de até 5% nos preços do petróleo, segundo participantes do mercado.
Queda generalizada nas taxas
As taxas dos contratos de juros futuros com vencimentos mais longos, como os de 2027 e 2029, recuaram mais de 0,10 ponto percentual, enquanto os vencimentos mais curtos, como 2025 e 2026, também fecharam em baixa, mas em menor magnitude. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 11,67% para 11,55%, e o para janeiro de 2029 recuou de 11,99% para 11,85%.
Fatores que influenciaram o mercado
De acordo com analistas, o principal fator foi a percepção de que o conflito no Oriente Médio pode não escalar para uma guerra regional mais ampla, o que reduziu a demanda por proteção nos mercados de juros. Além disso, a queda nos preços do petróleo, que chegaram a recuar até 5% na sessão, aliviou as preocupações com a inflação global e, consequentemente, com a trajetória da política monetária.
"O mercado está precificando um cenário menos adverso, com menor risco geopolítico e petróleo em queda. Isso permite que os prêmios de risco sejam reduzidos, especialmente nos vértices mais longos", explicou um gestor de renda fixa de uma grande asset, que preferiu não ser identificado.
Impacto na curva de juros
O achatamento da curva indica que o mercado está reduzindo a expectativa de inflação e de juros no longo prazo, enquanto os juros de curto prazo permanecem mais elevados, refletindo a política monetária atual do Banco Central. A taxa Selic está em 10,75% ao ano, e o mercado segue atento aos próximos passos da autoridade monetária.
"Com a queda do petróleo e o alívio geopolítico, o Copom pode ter mais espaço para cortar a Selic nas próximas reuniões, o que se reflete na queda dos juros futuros de prazos mais curtos", comentou um operador de mesa de renda fixa.
Perspectivas
Os participantes do mercado agora aguardam a divulgação de novos dados econômicos, como o IPCA de outubro, e a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), para calibrar as expectativas. A curva de juros, portanto, deve continuar sensível a notícias sobre o cenário internacional e à trajetória fiscal doméstica.



