A XP Investimentos afirma que o juro real brasileiro, atualmente acima de 8%, cria um cenário favorável para a compra de ações no país. Em relatório, a corretora explica que o patamar elevado da taxa real, combinado com a expectativa de queda da Selic, tende a impulsionar a renda variável, especialmente os papéis de empresas domésticas.
O que diz a XP sobre o juro real
Segundo a XP, o juro real brasileiro está em torno de 8,5% ao ano, um dos mais altos do mundo. Esse nível, historicamente, precede ciclos de alta da Bolsa, pois atrai investidores estrangeiros e reduz a atratividade da renda fixa quando a inflação cede. A corretora projeta que a Selic, atualmente em 13,75%, possa cair para 13,75% até o fim de 2025, conforme o mercado já precifica.
"Com juro real elevado e inflação sob controle, as ações brasileiras ficam baratas em relação à sua história e a mercados emergentes", afirma a equipe de análise da XP, em relatório assinado por Jennie Li e Fernando Ferreira.
Apostas para a 'terceira onda' da B3
A XP destaca três papéis para a chamada 'terceira onda' da B3, que seria o próximo movimento de alta após os ciclos de 2016 e 2020. São eles: Smart Fit (SMFT3), Nubank (ROXO34) e Localiza (RENT3).
- Smart Fit: rede de academias com forte crescimento, beneficiada pela reabertura econômica e expansão de unidades.
- Nubank: banco digital com receita crescente, ganhando participação no mercado de crédito.
- Localiza: locadora de veículos, com sinergias da fusão com a Unidas e demanda aquecida.
A corretora argumenta que essas empresas têm modelos de negócios resilientes, com potencial de lucro acima da média do mercado.
Impacto no investidor
Para o investidor pessoa física, a recomendação é aproveitar a janela de juros altos para montar posição em ações antes de uma possível queda da Selic. A XP lembra que, historicamente, a Bolsa brasileira sobe nos 12 meses seguintes ao pico do ciclo de juros.
"O cenário é construtivo, mas exige paciência e diversificação", alerta a XP, sugerindo que o investidor mantenha uma carteira equilibrada entre renda fixa e variável.
Contexto macroeconômico
A análise da XP ocorre em meio a revisões do mercado. O boletim Focus, do Banco Central, indica que a projeção de inflação para 2025 caiu para 4,1%, e a Selic deve encerrar o ano em 13,75%. Esses fatores reforçam a tese de juro real elevado, mas também sinalizam espaço para cortes futuros.
No cenário internacional, a queda do petróleo e a desaceleração da China pressionam commodities, mas a XP vê isso como transitório. "A Bolsa brasileira está descontada, com P/L de 9 vezes para 2026, bem abaixo da média histórica", conclui o relatório.



