A XP Investimentos afirma que vale a pena comprar ações no Brasil mesmo com o juro real acima de 8%. A casa destaca que a combinação de valuations descontados, expectativa de corte da Selic e fluxo estrangeiro pode impulsionar a Bolsa brasileira nos próximos meses. Segundo a XP, o cenário macroeconômico, embora desafiador, oferece oportunidades seletivas em setores como varejo, saúde e tecnologia.
Por que o juro real alto não impede os investimentos?
O juro real é a remuneração acima da inflação. No Brasil, ele está em torno de 8%, um dos mais altos do mundo. Isso normalmente atrai investidores para a renda fixa, mas a XP argumenta que as ações de empresas sólidas podem oferecer retornos superiores no longo prazo. A casa destaca que o mercado já precifica uma queda da Selic, atualmente em 13,75%, para 12% até o fim de 2024.
Além disso, a XP ressalta que a bolsa brasileira está negociando a um múltiplo de cerca de 9 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de 11 vezes. Isso cria uma margem de segurança para investidores pacientes.
Quais setores são favorecidos?
A XP recomenda exposição a empresas domésticas, que se beneficiam da retomada do consumo, e a companhias ligadas ao agronegócio, que têm forte participação no PIB. A casa também vê potencial em papéis de tecnologia e saúde, que se mostraram resilientes mesmo em cenários adversos.
Entre os nomes citados estão Smart Fit, Nubank e Localiza, que fazem parte da chamada "terceira onda" da B3, conforme análise da Encore, gestora parceira da XP. Essas empresas têm modelos de negócios inovadores e alto potencial de crescimento.
Impacto no investidor
Para o investidor pessoa física, a mensagem é clara: diversificar é essencial. A XP recomenda que a alocação em renda variável não ultrapasse 30% do portfólio, mas que, dentro desse limite, haja seleção criteriosa de ativos. "Não é hora de sair comprando tudo, mas de escolher bem onde colocar o dinheiro", afirma analista da casa.
O mercado também monitora o noticiário político e fiscal, que pode afetar a trajetória dos juros. A aprovação do arcabouço fiscal e a reforma tributária são vistos como fundamentais para manter a confiança dos investidores.
Perspectivas para a bolsa
Com a proximidade das eleições municipais e a possibilidade de mudanças na política econômica, a XP mantém uma visão construtiva para o médio prazo. A casa projeta que o Ibovespa pode atingir 140 mil pontos até o fim de 2025, impulsionado por lucros corporativos e fluxo estrangeiro.
No entanto, alerta para riscos como a desaceleração da economia global e a volatilidade dos preços das commodities. "O cenário é de cautela, mas com oportunidades claras para quem tem visão de longo prazo", conclui o relatório.



