O JPMorgan retomou a cobertura das ações da Bradsaúde (SAUD3), a plataforma de saúde listada do Bradesco, com recomendação overweight (acima da média do mercado, equivalente à compra) e estabeleceu preço-alvo de R$ 19. A retomada ocorreu após um período de restrição relacionado à incorporação das operações de saúde do Grupo Bradesco pela Odontoprev, concluída em 2024. Antes da restrição, o banco também tinha recomendação overweight para as ações da Odontoprev, com preço-alvo de R$ 14 para dezembro de 2026.
Reação do mercado e desempenho das ações
Por volta das 10h10 (horário de Brasília) desta quinta-feira, as ações da Bradsaúde subiam 1,53%, cotadas a R$ 15,24. O movimento positivo reflete a confiança dos investidores no relatório do JPMorgan, que enxerga potencial de valorização de aproximadamente 25% em relação ao preço atual até o alvo de R$ 19.
Perfil da Bradsaúde e posição de mercado
A Bradsaúde reúne operações de seguros médicos e odontológicos, prestação de serviços de saúde, tecnologia, diagnósticos e participação estratégica em hospitais. A companhia possui cerca de 4 milhões de beneficiários de planos de saúde e mais de 9 milhões de beneficiários odontológicos, o que a consolida como uma das maiores operadoras de saúde suplementar do Brasil.
Segundo a equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, a tese de investimento combina resultados defensivos, potencial de ganho de participação de mercado, retorno elevado sobre o patrimônio (ROE) e geração consistente de dividendos. Esses fatores são suportados pela marca, pela rede de distribuição e pelo relacionamento do Bradesco com clientes corporativos e pequenas e médias empresas (PMEs).
Metodologia de valuation e projeções financeiras
O preço-alvo de R$ 19 foi calculado por uma avaliação por soma das partes (SOTP, na sigla em inglês), utilizando modelos de fluxo de caixa descontado (DCF) para ativos específicos e modelos de dividendos descontados (DDM) para os negócios regulados de seguros e odontologia. O JPMorgan estima que a Bradsaúde pode entregar dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) entre 7% e 8% e um crescimento anual composto de cerca de 9% no lucro por ação (EPS) até 2030.
O banco também elevou suas projeções de lucro ajustado por ação, com alta de aproximadamente 50% tanto para 2026 quanto para 2027, sinalizando forte expectativa de expansão dos resultados. De acordo com o relatório, o segmento de planos de saúde premium é o principal impulsionador da tese, devido às margens mais altas e à menor sensibilidade a oscilações econômicas.
Participação de mercado e potencial de crescimento
A Bradsaúde já detém cerca de 22% de participação em um mercado estimado em R$ 187 bilhões, mas ainda vê espaço para crescimento devido à fragmentação do setor. Operadores menores concentram aproximadamente 30% dos prêmios, e o JPMorgan acredita que fatores como escala, marca, solvência, disciplina de subscrição e acesso à rede de prestadores devem permitir novos ganhos de participação ao longo do tempo.
Outro ponto destacado pelo banco é a capacidade de distribuição do Bradesco. O JPMorgan avalia que o mercado de planos empresariais para pequenas empresas ainda é pouco explorado: companhias com menos de 100 funcionários representam cerca de 46% dos empregos formais, enquanto contratos com menos de 30 vidas correspondem a apenas 24% dos beneficiários de planos coletivos. Segundo o relatório, a rede corporativa, agências e relacionamento do Bradesco com empresas podem reduzir custos de aquisição e acelerar a entrada de novos clientes nesse segmento.
Perspectivas e riscos
O JPMorgan destaca que a Bradsaúde combina características defensivas com potencial de crescimento, o que a torna atrativa em diferentes cenários macroeconômicos. Entre os principais riscos estão a regulação do setor de saúde suplementar, a inflação médica e a competição com outros grandes operadores. No entanto, a solidez do balanço e o suporte do Bradesco mitigam esses riscos. Com a retomada da cobertura, o banco volta a recomendar a compra do ativo, reforçando a confiança na trajetória de longo prazo da companhia.



