O Itaú Unibanco considerou exageradas as previsões de um 'abismo fiscal' para 2027, mas alertou que a trajetória das contas públicas exige reformas estruturais. Em relatório divulgado nesta terça-feira, a instituição financeira projeta um déficit primário de 0,5% do PIB para 2027, bem abaixo dos 1% estimados por alguns analistas.
Análise do Itaú sobre o cenário fiscal
Segundo o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, 'o termo abismo fiscal é um exagero, pois as projeções indicam um déficit administrável, mas isso não significa que podemos relaxar. A dívida pública continua crescendo e é preciso um ajuste fiscal consistente'. O relatório destaca que as despesas obrigatórias, como previdência e saúde, pressionam o orçamento.
O Itaú estima que, sem novas medidas, a dívida bruta chegará a 85% do PIB em 2027, contra 78% atualmente. 'O crescimento econômico pode ajudar, mas não resolve o problema sozinho', afirmou Mesquita.
Reformas necessárias
O banco defende a aprovação de reformas administrativa e tributária para conter gastos e aumentar a eficiência. 'A reforma administrativa pode gerar economia de até R$ 300 bilhões em dez anos', calcula o Itaú. Já a tributária, segundo a instituição, simplificaria o sistema e poderia impulsionar o PIB em 0,5% ao ano.
O governo federal tem enfrentado dificuldades para aprovar essas pautas no Congresso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que 'o ajuste fiscal é gradual, mas inexorável'.
Impacto nos mercados
O relatório do Itaú influenciou o mercado de juros futuros, com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caindo 5 pontos-base, para 12,75% ao ano. O Ibovespa operou estável, aos 173 mil pontos, com investidores cautelosos.
Para o analista da XP Investimentos, Rafael Nobre, 'a visão do Itaú traz alívio de curto prazo, mas o mercado quer ver ação concreta do governo'.



