Ibovespa sobe, dólar e juros caem após payroll fraco nos EUA
Ibovespa sobe, dólar e juros caem após payroll fraco nos EUA

O mercado financeiro brasileiro reagiu positivamente aos dados de emprego dos Estados Unidos divulgados nesta sexta-feira. O payroll de junho registrou a criação de apenas 57 mil vagas de trabalho, número bem abaixo das expectativas dos analistas, que previam cerca de 180 mil novos postos. O resultado fraco levou operadores a reduzirem as apostas em alta de juros pelo Federal Reserve, o que beneficiou ativos de risco globalmente.

Impacto nos ativos domésticos

No Brasil, o Ibovespa opera em alta, enquanto o dólar comercial cai e as taxas de juros futuras recuam. A leitura do mercado é que a desaceleração do mercado de trabalho americano pode levar o Fed a adotar uma postura mais cautelosa, adiando novos aumentos na taxa básica de juros. Isso reduz a pressão sobre moedas emergentes e abre espaço para fluxo de capital para a Bolsa brasileira.

Segundo analistas, o payroll fraco também alivia a preocupação com a inflação nos EUA, já que um mercado de trabalho menos aquecido tende a conter pressões salariais. “O dado veio bem abaixo do esperado e reforça a tese de que o Fed pode interromper o ciclo de alta de juros mais cedo”, afirmou um estrategista de um grande banco de investimentos.

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Setores mais beneficiados

Entre os setores que mais se destacam na Bolsa estão os ligados ao consumo e à construção civil, que se beneficiam da queda nos juros futuros. A redução das taxas de juros também favorece empresas com alto endividamento, que veem seus custos financeiros diminuírem.

No mercado de câmbio, o dólar opera em queda de mais de 1% ante o real, refletindo o movimento global de enfraquecimento da moeda americana. Já os juros futuros, medidos pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, caíram mais de 10 pontos-base.

Contexto global

O payroll de junho foi o menor desde abril de 2020, quando a pandemia de Covid-19 causou uma queda abrupta no emprego. O resultado surpreendeu negativamente o mercado, que já esperava uma desaceleração, mas não tão intensa. A taxa de desemprego nos EUA permaneceu em 3,6%, mas a participação na força de trabalho caiu ligeiramente.

Com o dado, operadores reduziram as apostas em uma alta de 0,75 ponto percentual na reunião do Fed de julho, e passaram a precificar majoritariamente um aumento de 0,50 ponto. Isso impulsionou os mercados acionários globais, com as Bolsas europeias e asiáticas também operando no azul.

Perspectivas para o Brasil

A melhora no cenário externo dá fôlego ao Ibovespa, que vinha pressionado por preocupações fiscais domésticas e pela alta dos juros americanos. No entanto, analistas alertam que a volatilidade deve continuar, pois o mercado ainda aguarda os próximos dados de inflação nos EUA, que podem influenciar a decisão do Fed.

“O payroll fraco é um alívio de curto prazo, mas não muda o fato de que a inflação americana ainda está elevada. O Fed pode precisar de mais dados antes de mudar de rumo”, ponderou um economista-chefe de uma corretora.

No Brasil, a atenção também se volta para o cenário político e fiscal, com a tramitação de medidas econômicas no Congresso. A combinação de um ambiente externo mais favorável com avanços na agenda doméstica pode sustentar a recuperação da Bolsa nas próximas semanas.

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