O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quarta-feira, surpreendendo o mercado com a divulgação do IPCA-15 de junho, que veio abaixo do piso das expectativas. A prévia da inflação, que serve como termômetro para a política monetária, encostou no teto da meta, mas aliviou as preocupações imediatas com a pressão inflacionária. Com isso, os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, sinalizando que o mercado precifica uma manutenção ou até um novo corte de juros pelo Banco Central.
IPCA-15 fica abaixo do piso e surpreende analistas
O IPCA-15 registrou alta de 0,39% em junho, abaixo da mediana das projeções de 0,45%. O resultado trouxe alívio para os investidores, que temiam uma aceleração maior da inflação. Apesar de ainda estar próximo do teto da meta, o número foi visto como um sinal de que a trajetória inflacionária pode ser mais benigna do que o esperado. "O mercado vê alívio, não vitória", afirmou um analista da XP, destacando que ainda há riscos no horizonte, mas que o dado reduz a urgência de alta de juros.
Juros futuros caem e abrem espaço para cortes
Na curva de juros, as taxas dos contratos futuros caíram em todos os prazos. O DI para janeiro de 2027 recuou de 11,85% para 11,70%, enquanto o DI para janeiro de 2029 caiu de 12,15% para 11,95%. A redução reflete a aposta de que o Banco Central pode manter a Selic em 10,50% ou até reduzi-la na próxima reunião. "O IPCA-15 abaixo do esperado tira pressão do Copom e pode abrir espaço para um novo corte de juros ainda este ano", comentou um estrategista da Armor Capital.
Mercado de ações se beneficia, mas cautela persiste
A alta do Ibovespa foi puxada por ações de varejo e construção, setores sensíveis à taxa de juros. As ações da Lojas Renner subiram 3,5%, e as da MRV avançaram 4,2%. No entanto, o movimento foi contido por preocupações externas. O JPMorgan elevou a recomendação para JBS, rebaixou Minerva e manteve a MBRF como favorita, enquanto a Fitch alertou que a correção em inteligência artificial está se tornando um risco de crédito global. O investimento estrangeiro em ações brasileiras foi negativo em US$ 2,794 bilhões em junho, indicando que o fluxo de capital ainda é cauteloso.
Santander Brasil ensaia recuperação
No setor bancário, o Santander Brasil (SANB11) tenta se recuperar após cair 15% no ano, com o balanço do segundo trimestre no radar. O mercado espera que a divulgação de lucro traga mais clareza sobre a trajetória de margens e inadimplência. Enquanto isso, a WEG recebeu upgrade do Goldman Sachs, mas o banco manteve cautela, refletindo o cenário misto para as empresas brasileiras.
Perspectivas: alívio, mas não vitória
Apesar da reação positiva, analistas alertam que o IPCA-15 é apenas uma prévia e que os dados completos de junho, divulgados no início de julho, podem trazer surpresas. Além disso, o quadro das contas públicas tende a piorar nos próximos anos, segundo gestor da Armor, o que limita o espaço para cortes de juros mais agressivos. "O mercado comemorou o IPCA-15, mas a batalha contra a inflação ainda não acabou", concluiu o analista da XP.



