Ibovespa estável com mau humor global; Petrobras alta freia perdas
Ibovespa estável; alta da Petrobras freia perdas

O Ibovespa iniciou a sessão desta quarta-feira praticamente estável, refletindo o mau humor global que domina os mercados financeiros. Por volta das 10h15, o principal índice da bolsa brasileira operava com leve variação negativa de 0,04%, aos 128.500 pontos. O movimento, no entanto, é menos intenso do que o visto em outras praças internacionais, graças ao avanço de cerca de 3% nos preços do petróleo no mercado futuro, que impulsiona as ações da Petrobras e ajuda a conter perdas maiores.

Pressão externa e alívio local

O cenário externo é de aversão ao risco, com quedas expressivas nas bolsas europeias e asiáticas, influenciadas por preocupações com a desaceleração econômica global e a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos. O índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas europeias, recuava 1,2% no início da tarde, enquanto o Nikkei, no Japão, fechou em baixa de 1,5%.

No Brasil, a alta do petróleo funciona como um amortecedor. Os contratos futuros do Brent, referência internacional, subiam 3,1%, cotados a US$ 84,50 o barril, impulsionados por cortes na oferta da Opep+ e tensões geopolíticas no Oriente Médio. Como reflexo, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançavam 2,8%, enquanto as ordinárias (PETR3) subiam 2,5%.

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Petrobras freia perdas no Ibovespa

Segundo analistas de mercado, o movimento de alta da estatal petroleira é o principal responsável por evitar que o Ibovespa acompanhe a queda generalizada vista nos mercados desenvolvidos. "A Petrobras tem um peso relevante no índice, e a valorização de quase 3% hoje compensa as perdas de outros setores, como tecnologia e consumo", afirmou Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, em nota a clientes.

Entre as demais blue chips, Vale (VALE3) operava estável, com variação de 0,1%, enquanto os bancos apresentavam leve recuo: Itaú Unibanco (ITUB4) caía 0,3% e Bradesco (BBDC4) recuava 0,5%. O setor siderúrgico também pressionava o índice, com Gerdau (GGBR4) em baixa de 1,2%.

Impacto nos mercados futuros e expectativas

No mercado de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operavam estáveis, com o DI para janeiro de 2026 em 12,85%, sem grandes alterações. O dólar comercial, por sua vez, registrava alta moderada de 0,3%, cotado a R$ 5,12, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior.

Investidores monitoram a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos, como o índice de preços ao produtor (PPI) e os pedidos semanais de seguro-desemprego, que podem dar pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, a agenda doméstica é esvaziada, com destaque apenas para a pesquisa Focus do Banco Central, que manteve a projeção de inflação em 4,2% para 2024.

Perspectivas para o restante do dia

Analistas avaliam que, se o petróleo mantiver a trajetória de alta, o Ibovespa pode até encerrar o dia no azul, contrariando a tendência global. "O mercado brasileiro tem um componente de commodities que funciona como hedge. Enquanto o petróleo subir, a bolsa tende a sofrer menos", explicou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

No entanto, a volatilidade deve permanecer elevada, com possíveis ajustes ao longo da sessão conforme novos dados externos forem divulgados. O Ibovespa acumula alta de 4,5% no mês, mas perde 2,1% no ano, ainda pressionado por incertezas fiscais e políticas.

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