Polêmicas da Copa do Mundo de 2026: política, preços e calor
Polêmicas da Copa de 2026: política, preços e calor

A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história como a primeira com 48 seleções e grandes atuações dos maiores craques da atualidade. No entanto, fora dos gramados, o torneio ficou marcado por uma série de polêmicas envolvendo a influência da política dos Estados Unidos, os altos preços e as questões climáticas.

Política americana impacta seleções e torcedores

A política externa dos Estados Unidos gerou debate desde meses antes da competição. Especialmente no caso do Irã. Classificada para a Copa, a seleção asiática chegou a estar ameaçada de não disputar o torneio por causa da guerra iniciada pelos americanos em fevereiro deste ano. Foi necessário alterar o planejamento e colocar os iranianos sediados no México, apesar de todos os jogos da equipe na fase de grupos serem disputados em solo americano. Isso causou muita reclamação da delegação do Oriente Médio. Além disso, o Irã precisou voltar para o México no mesmo dia dos dois primeiros jogos, já que só podia dormir uma noite nos EUA. O capitão Mehdi Taremi criticou publicamente a Fifa e disse que tinha a impressão de que os organizadores torciam pela eliminação do time. A declaração ganhou peso quando o Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos disse que comemorou a desclassificação iraniana.

Mas não foi só o Irã impactado. Torcedores do Haiti, além dos iranianos, não tinham direito a visto para ir assistir aos jogos. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado o melhor da África, foi barrado de entrar em território americano e precisou voltar para seu país antes do torneio. Torcedores de países como RD Congo, Costa do Marfim, Senegal e Cabo Verde precisaram pagar altas taxas pelo direito de ingresso nos Estados Unidos. Um dos casos que ganharam notoriedade foi o da mãe do goleiro Vozinha, de Cabo Verde. Ela não pôde assistir à atuação épica do filho na estreia contra a Espanha porque não teve dinheiro para o visto. O governo americano liberou a entrada gratuita dela para os jogos seguintes depois de ele virar destaque no Mundial.

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Cartão vermelho no centro da polêmica

Outro tema que envolve diretamente a política dos Estados Unidos foi a polêmica da expulsão de Balogun. O atacante americano recebeu cartão vermelho na partida da segunda fase, contra a Bósnia, o que o forçaria a cumprir suspensão automática no jogo seguinte, contra a Bélgica. A Fifa anunciou dias depois que suspendeu a punição e liberou que ele atuasse, algo que não acontecia na Copa do Mundo desde 1962, quando o fez com Garrincha. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista coletiva que ligou para o presidente da Fifa pedindo uma revisão da questão. A entidade disse que a ligação não teve influência na decisão. No jogo das oitavas, a Bélgica venceu os EUA por 4 a 1, mesmo com Balogun em campo, e provocou o adversário após o apito final, postando o placar nas redes sociais com a mensagem "Reverta isso".

Pausa para hidratação obrigatória gera debate

A Fifa adotou como regra para esta edição da Copa as pausas para hidratação obrigatórias no meio de cada um dos tempos. A medida foi tomada sob a alegação de preocupação com a saúde dos jogadores por causa das altas temperaturas. Porém, a parada foi utilizada em todos os jogos, inclusive em dias frios e em estádios fechados, o que levantou o debate entre os fãs se não seria apenas para haver mais um momento de intervalo comercial. A parada foi vaiada em praticamente todos os jogos do Mundial.

Preços altos e investigação

A temática dos preços também tomou conta da Copa do Mundo. Os ingressos mais caros do torneio chegavam a custar quase R$ 60 mil. A Fifa estreou o modelo de precificação dinâmica de ingressos, o que tornou muito caro ver jogos das principais seleções. A entidade está sendo investigada por procuradores de Nova York e Nova Jersey por conta dos preços. Muito além dos ingressos, os transportes tornaram insustentável para uma grande parcela do mundo ir aos jogos de suas seleções. A prefeitura de Nova York precisou fazer um acordo com uma rede de ônibus escolares para viabilizar o deslocamento de torcedores com preços mais baratos.

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Calor castiga jogadores e torcedores

A temática ambiental teve influência ao longo do torneio e deve ser tema central nas próximas edições da Copa do Mundo, especialmente as que forem realizadas no hemisfério norte. A atual edição chegou a ter recomendação de órgãos dos Estados Unidos para que o jogo entre França e Paraguai fosse adiado por causa do calor. A temperatura se aproximou dos 40ºC e representou um risco para a saúde dos jogadores.