O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (15), descolado dos índices de Nova York, que terminaram em alta. A principal referência da B3 encerrou com perdas de 0,36% aos 176.010,9 pontos, depois de oscilar entre máxima a 176.662,6 pontos e mínima a 175.288,17 pontos. O giro financeiro foi de R$ 39,9 bilhões.
Pressão das tarifas dos EUA
Segundo Fabio Louzada, fundador da B7 Business School, enquanto Wall Street encontrou suporte em um índice de preços ao produtor (PPI) mais fraco do que o esperado, o Ibovespa permaneceu pressionado pelo aumento das incertezas envolvendo a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. “As discussões envolvendo novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros adicionaram um componente de cautela que acabou se sobrepondo ao ambiente externo mais positivo”, afirma Louzada.
Em junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros como forma de compensar os “atos, políticas e práticas incoerentes” do País que “oneram ou restringem o comércio” americano. O prazo legal para a medida entrar em vigor terminava nesta quarta-feira, mas ainda não houve nenhuma sinalização do governo dos EUA.
Wall Street em alta com PPI fraco
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 0,38%, 0,29% e 0,62%, respectivamente. O PPI caiu 0,3% em junho ante maio, em linha com a expectativa de analistas consultados pela FactSet. Por sua vez, o núcleo do PPI, que exclui itens voláteis, subiu 0,2% em junho ante maio, abaixo da previsão da FactSet de crescimento mensal de 0,4%. A leitura mais fraca provocou queda nos rendimentos dos Treasuries e enfraquecimento do dólar no mercado internacional. “Trata-se de um ambiente tipicamente favorável para ativos de risco”, avalia Louzada.
O juro da T-note de 2 anos caiu a 4,145%, o da T-note de 10 anos recuou a 4,554% e o do T-bond de 30 anos perdeu a 5,089%. Em paralelo, o índice DXY, que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes, teve baixa de 0,43% a 100,485 pontos.
Dólar sobe no Brasil
No mercado doméstico de câmbio, o caminho foi inverso: o dólar hoje fechou em alta de 0,01% cotado a R$ 5,0785.
Maiores altas do Ibovespa
As três ações que mais valorizaram no dia foram Totvs (TOTS3), Gerdau (GGBR4) e Ultrapar (UGPA3).
Totvs (TOTS3): 4,18%, R$ 29,92. A TOTS3 está em alta de 4,25% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 28,23%.
Gerdau (GGBR4): 3,77%, R$ 24,2, após o Morgan Stanley elevar o preço-alvo para o papel para R$ 26. A GGBR4 está em alta de 16,46% no mês. No ano, acumula uma valorização de 20,22%.
Ultrapar (UGPA3): 3,29%, R$ 31,1. Depois de cederem 2,65% na sessão anterior, os papéis se recuperaram. A UGPA3 está em alta de 19,34% no mês. No ano, acumula uma valorização de 48,8%.
Maiores quedas do Ibovespa
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Braskem (BRKM5), Engie (EGIE3) e Isa Energia (ISAE4).
Braskem (BRKM5): -6,15%, R$ 6,41. Em relatório, o Citi avaliou que uma eventual proposta de reestruturação da petroquímica que conte com conversão de dívidas em ações e consequente diluição dos atuais acionistas da companhia, como noticiado na imprensa, poderia alterar o controle acionário da companhia e o acordo de acionistas entre Petrobras (PETR3;PETR4) e IG4. A BRKM5 está em alta de 0,79% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 18,76%.
Engie (EGIE3): -5,11%, R$ 30,62. A empresa realizou uma oferta subsequente de ações (follow-on) na B3, captando R$ 8,4 bilhões com a venda de ações a R$ 30,50 cada. A EGIE3 está em baixa de 12,09% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 1%.
Isa Energia (ISAE4): -5,03%, R$ 27,78. A empresa protocolou pedido de follow-on de distribuição primária de 22.222.222 ações preferenciais. A companhia afirmou que o lote inicial pode ser acrescido em até 100% com a colocação de ações adicionais, totalizando até 44.444.444 papéis. A ISAE4 está em baixa de 1,17% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,89%.



