Ibovespa cai 1,52% na mínima do dia pressionado por Fed e bancos
Ibovespa cai 1,52% com Fed e queda de bancos

O Ibovespa fechou em queda de 1,52% nesta quarta-feira, atingindo a mínima do dia, em meio a preocupações com a política monetária do Federal Reserve (Fed) e um forte recuo do setor bancário. O índice terminou aos 126.500 pontos, após oscilar entre perdas e ganhos durante a sessão.

Pressão do Fed e do setor bancário

Investidores reagiram às declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, que indicou a possibilidade de juros mais altos por mais tempo para conter a inflação. Esse cenário global elevou a aversão ao risco e derrubou os ativos de maior risco, como as ações brasileiras. No mercado local, os bancos foram os maiores vilões: Itaú Unibanco caiu 2,3%, Bradesco recuou 2,8% e Banco do Brasil perdeu 1,9%. O movimento foi atribuído à expectativa de que o aperto monetário prolongado nos EUA pode reduzir a demanda por crédito e comprimir margens.

Petrobras salva o dia com alta do petróleo

Em contrapartida, a Petrobras registrou ganhos expressivos, subindo 3,5% na esteira da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent avançou mais de 4% após a Opep+ sinalizar cortes na produção. Além disso, a estatal divulgou números operacionais mais fortes do que o esperado para o trimestre, com aumento da produção e melhora nas margens de refino. Segundo analistas da XP Investimentos, 'os resultados operacionais da Petrobras vieram acima das projeções, o que sustenta a tese de geração de caixa robusta mesmo em cenário de maior volatilidade'.

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Impacto no mercado e expectativas

Apesar do alívio pontual proporcionado pela Petrobras, o Ibovespa não conseguiu sustentar o fôlego e encerrou no menor nível do pregão. O volume financeiro negociado foi de R$ 24 bilhões, acima da média recente, indicando elevada participação de investidores institucionais em busca de proteção. Para estrategistas do BTG Pactual, a tendência de curto prazo ainda é de cautela: 'O mercado brasileiro está refém do humor externo, e enquanto o Fed não der sinais claros de afrouxamento, a pressão sobre os ativos de risco deve continuar'.

Dólar e juros futuros

No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,12, refletindo a fuga para a moeda americana. Já os juros futuros avançaram, com o DI para janeiro de 2027 subindo de 13,5% para 13,7%, em linha com a percepção de juros altos por mais tempo. A combinação de câmbio pressionado e juros elevados tende a comprimir a atividade econômica e deve influenciar as próximas decisões do Copom.

Perspectivas para os próximos dias

O mercado aguarda com atenção a divulgação do payroll nos EUA na sexta-feira, que pode reforçar ou diminuir as expectativas de aperto monetário. Por aqui, a temporada de balanços continua, com destaque para os resultados de empresas como Vale e Ambev. Analistas do Credit Suisse alertam que o Ibovespa pode testar suporte nos 125 mil pontos caso o cenário externo se deteriore ainda mais. No entanto, o desempenho positivo da Petrobras e a resiliência de alguns setores podem oferecer suporte ao índice.

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