O Ibovespa chegou a saltar 1,5% nesta quarta-feira, rompendo a marca histórica de 180 mil pontos pela primeira vez, mas amenizou os ganhos com a forte queda do petróleo no exterior. O movimento reflete a combinação de alívio no front doméstico, com a desaceleração da inflação, e a aversão a risco no setor de commodities.
Recorde intradiário e realização de lucros
No melhor momento, o principal índice da B3 atingiu 180.200 pontos, impulsionado por ações de bancos e varejistas. No entanto, a queda de mais de 3% do Brent, após declarações do secretário do Tesouro dos EUA sobre um possível acordo de paz, derrubou os papéis da Petrobras, PRIO e Brava, que chegaram a cair mais de 4%.
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que a realização de lucros é natural após o rali recente, mas o cenário segue construtivo para a bolsa brasileira, com a expectativa de corte na Selic na próxima reunião do Copom.
Impacto da queda do petróleo
A desvalorização do petróleo pressiona diretamente as ações do setor de óleo e gás, que têm peso relevante no Ibovespa. A fala do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre a possibilidade de um acordo que aumente a oferta global derrubou os preços da commodity.
Com isso, o índice reduziu os ganhos e fechou em alta de 0,8%, aos 179.500 pontos, ainda em território recorde.
Perspectivas para o Copom
O mercado agora aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve sinalizar o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros. A desaceleração da inflação, medida pelo IPCA-15, reforça a aposta de uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
Segundo o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não se identificar, “a combinação de juros mais baixos e reformas estruturais em andamento pode sustentar o rali da bolsa nos próximos meses”.



