Fed mantém juros, mas com dissidência; Ibovespa cai mais de 1%
Fed mantém juros com dissidência; Ibovespa cai

O Federal Reserve (Fed) decidiu manter as taxas de juros nos Estados Unidos inalteradas na faixa de 5,25% a 5,50%, em decisão anunciada nesta quarta-feira. No entanto, a votação não foi unânime: Christopher Warsh, membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), votou por um corte de 0,25 ponto percentual. “Eu pedi uma boa briga de família e estamos nela”, declarou Warsh, referindo-se à dissidência.

Impacto imediato nos mercados brasileiros

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em baixa de mais de 1% logo após o anúncio, refletindo a percepção de que os juros americanos permanecerão elevados por mais tempo. O dólar, por sua vez, apresentava leve queda ante o real, cotado a R$ 4,95, com investidores ajustando posições. A decisão do Fed já era amplamente esperada, mas a dissidência de Warsh gerou ruído no mercado.

Contexto da decisão e projeções

O comunicado do Fed manteve o tom cauteloso, reiterando que a inflação ainda não está sob controle e que novos dados serão necessários antes de qualquer afrouxamento monetário. Segundo analistas, a manutenção dos juros nos EUA tende a pressionar moedas emergentes e reduzir o apetite por risco, afetando ativos brasileiros. “O Fed sinaliza que não terá pressa em cortar juros, o que pode adiar o ciclo de afrouxamento esperado para o segundo semestre”, afirmou um estrategista do banco UBS.

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Setores mais impactados

Entre os setores mais afetados na B3 estão as empresas de commodities e exportadoras, que sofrem com a valorização do dólar frente ao real. Ações da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) recuavam, enquanto papéis de bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também operavam no vermelho. Por outro lado, papéis ligados ao mercado interno, como varejo e construção civil, mostraram resistência.

Reação dos investidores e perspectivas

O mercado de juros futuros também reagiu, com as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subindo levemente. A curva de juros mantém-se inclinada, com a expectativa de que o Banco Central brasileiro possa ter menos espaço para cortar a Selic caso o Fed permaneça hawkish. Especialistas destacam que a dissidência interna no Fed é rara e pode indicar divisões sobre o rumo da política monetária americana.

Para os próximos dias, a atenção se volta para os dados de inflação ao consumidor nos EUA e para a temporada de balanços do segundo trimestre, que podem influenciar as expectativas para a próxima reunião do Fed em setembro.

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