O dólar comercial fechou em queda de 0,8% nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,20, o menor patamar desde setembro de 2023. O movimento refletiu o apetite por risco no exterior e a entrada de capital estrangeiro no país. Simultaneamente, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,2%, alcançando 134.500 pontos, impulsionado por ações de commodities e por expectativas de corte de juros nos Estados Unidos.
Fatores que impulsionaram a queda do dólar
Segundo analistas, a desvalorização da moeda norte-americana foi influenciada por dados de inflação nos EUA, que vieram abaixo do esperado, reforçando a aposta de que o Federal Reserve poderá iniciar um ciclo de afrouxamento monetário já em setembro. Esse cenário enfraquece o dólar globalmente e favorece moedas emergentes, como o real.
Além disso, houve fluxo positivo de investidores estrangeiros para a B3, com saldo de R$ 1,2 bilhão em compras de ações no dia. A melhora nas perspectivas para a economia chinesa, que anunciou novos estímulos fiscais, também contribuiu para a alta das commodities e para o ingresso de recursos no Brasil.
Ibovespa em alta com commodities
No mercado acionário, as ações da Vale e da Petrobras foram as que mais contribuíram para a alta do índice. A Vale subiu 2,3%, acompanhando a valorização do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras ganhou 1,8%, com o petróleo Brent em alta de 1,5%.
O movimento de alta foi disseminado, com 70% das ações negociadas em território positivo. O setor bancário também teve desempenho forte, com destaque para Itaú Unibanco e Banco do Brasil, que subiram 1,5% e 1,2%, respectivamente, refletindo a expectativa de redução da taxa Selic no próximo Copom.
Perspectivas para os próximos dias
Para os próximos dias, os investidores monitoram a divulgação do PIB do segundo trimestre e a ata do Copom, que podem trazer sinais sobre a trajetória da política monetária. “A queda do dólar e a alta da bolsa indicam um cenário mais favorável para ativos de risco, mas ainda há incertezas fiscais no Brasil que podem limitar os ganhos”, afirmou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.
Ela acrescentou que a aprovação de reformas estruturais, como a reforma tributária, é essencial para sustentar a tendência de valorização do real e de recuperação do mercado acionário. “Se o governo conseguir avançar na agenda de ajuste fiscal, o país pode atrair ainda mais investimentos”, completou.
Impacto para o consumidor e empresas
A desvalorização do dólar tende a aliviar a pressão inflacionária, especialmente em itens importados, como combustíveis, eletrônicos e alimentos. Com isso, o Banco Central pode ter mais espaço para cortar a Selic, que atualmente está em 10,5% ao ano. Economistas projetam que a taxa básica possa cair para 10% na próxima reunião.
Para as empresas exportadoras, no entanto, a queda da moeda americana pode reduzir a competitividade. Já para as companhias com dívidas em dólar, o alívio é significativo, melhorando o balanço e as perspectivas de investimento.



