DIs fecham em alta leve após Fed manter juros e petróleo subir
DIs fecham em alta após Fed e petróleo

Mercado de juros futuros oscila com Fed dividido e petróleo acima de US$90

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a sessão regular em alta leve nesta segunda-feira, após um dia de oscilações. Durante a manhã, os DIs sustentaram ganhos firmes, mas chegaram a virar para o negativo no período da tarde, influenciados pelos comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh. O petróleo Brent voltou a superar os US$90 por barril, adicionando pressão inflacionária ao cenário doméstico.

Decisão do Fed: manutenção com dissidência

Como esperado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. No entanto, a decisão não foi unânime: nove membros votaram pela manutenção, enquanto três defenderam um aumento de 25 pontos-base já nesta reunião, sinalizando tensão com a inflação persistente. Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ganhos, mas durante a entrevista coletiva de Warsh o movimento de queda se consolidou temporariamente.

Na entrevista, Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e afirmou que a instituição não hesitará em agir se necessário. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação “animadores” e disse que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado. Durante seus comentários, os rendimentos dos Treasuries de dois anos se firmaram em queda.

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DIs no Brasil: da alta à mínima e volta ao positivo

No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o movimento externo. O DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,070% (+9 pontos-base) às 9h16, ainda na primeira hora da sessão, e depois tocou a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, durante as falas de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no momento do anúncio do Fed. No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base.

Apesar do viés de baixa durante a tarde, o movimento não se consolidou no Brasil. As taxas voltaram a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia. “Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses”, ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments. “Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil”, acrescentou.

Caged: geração de vagas acima do esperado, mas menor ritmo desde 2020

No Brasil, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima das 115.000 projetadas por economistas ouvidos pela Reuters. Apesar do resultado superior ao esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19. Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração. “Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026”, afirmou Margato em comentário escrito.

Petróleo e Treasuries: pressão adicional sobre a curva brasileira

O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$90 o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio. Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos – que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo – tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 6 pontos-base, a 4,665%.

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