O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros entre 5,25% e 5,50% pela sétima vez consecutiva, em linha com as expectativas do mercado. A decisão foi anunciada após reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) na quarta-feira, e o comunicado destacou que a inflação nos Estados Unidos ainda não retornou à meta de 2%, embora tenha mostrado sinais de moderação. O presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou que cortes de juros dependerão de dados econômicos mais favoráveis, especialmente no mercado de trabalho e na inflação.
Impacto nos mercados globais
A manutenção dos juros americanos influencia diretamente as economias emergentes, como o Brasil. Com a taxa básica alta nos EUA, o dólar tende a se fortalecer, pressionando moedas de países em desenvolvimento. Segundo analistas do Banco XYZ, "a decisão do Fed era esperada, mas o tom cauteloso pode adiar cortes até o final do ano, o que mantém a pressão sobre o câmbio". O mercado brasileiro reagiu com leve queda no Ibovespa e alta do dólar, que fechou a R$ 5,12.
Relatório mensal da dívida pública brasileira
No Brasil, o Tesouro Nacional divulgou o relatório mensal da dívida pública referente a junho. O estoque total da dívida pública federal alcançou R$ 6,5 trilhões, ante R$ 6,4 trilhões em maio, um aumento de 1,5% no mês. A dívida interna responde por 98% do total, com destaque para os títulos indexados à Selic e à inflação. O custo médio da dívida subiu para 10,2% ao ano, refletindo a manutenção dos juros elevados pela Selic em 10,50%.
Composição e perfil da dívida
O relatório mostrou que os títulos com renda fixa representam 70% da carteira, enquanto os atrelados ao câmbio somam 5%. O prazo médio da dívida está em 4,1 anos, estável em relação ao mês anterior. Segundo o secretário do Tesouro, "a estratégia de alongamento do perfil tem sido exitosa, mas o cenário de juros altos ainda demanda cautela". A participação de investidores estrangeiros na dívida pública caiu para 8,5%, menor nível desde 2020.
Implicações para a economia brasileira
O crescimento da dívida e o custo elevado pressionam as contas públicas. O governo precisa pagar mais juros, o que limita o espaço para investimentos. Especialistas alertam que, sem reformas fiscais, a relação dívida/PIB pode ultrapassar 80% até o fim do ano. "O relatório confirma a necessidade de um ajuste fiscal robusto", afirmou o economista-chefe do Instituto de Finanças. O mercado aguarda a reunião do Copom na próxima semana, que pode sinalizar cortes na Selic a partir de agosto.
Agenda dos próximos dias
Além do Fed e do relatório da dívida, a agenda econômica inclui a divulgação do IPCA-15 de julho no Brasil e o PIB dos EUA no segundo trimestre. Esses dados devem dar mais pistas sobre os rumos da política monetária nos dois países. Investidores seguem atentos à comunicação dos bancos centrais e às projeções fiscais do governo brasileiro.



